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Quinta-feira, 2 de abril de 2026

CEO da TOTVS critica etarismo no mercado de trabalho e diz que 50 são os novos 30

Segundo Dennis Herszkowicz, não há espaço para etarismo na gigante de tecnologia brasileira

Com uma visão contrária ao etarismo no mercado de trabalho, o CEO da TOTVS, Dennis Herszkowicz, acredita que ’50 são os novos 30′, e que as companhias deveriam endossar contratações com mais diversidade em termos de faixa etária.

“Eu mesmo, tenho 51 anos. Sobre ’50 ser o novo 30′, é realmente como eu me sinto, tanto mentalmente quanto fisicamente, eu me sinto maravilhosamente bem e pronto para qualquer tipo de desafio. Então, se eu me sinto assim, acredito que boa parte das pessoas na minha faixa etária ou eventualmente e até mais velhas também possam se sentir”, diz o executivo ao Dinheiro Entrevista.

“Não estamos preocupados com a idade das pessoas, a gente não está preocupado com nenhum desses elementos. A gente quer saber se são pessoas legais, são pessoas que se encaixam dentro dentro da nossa cultura, que têm o conhecimento que a gente precisa, tem a motivação e o engajamento que a gente busca. Se essas pessoas tiverem isso, nós não estamos muito preocupados com qualquer outra característica”, afirma.

O executivo lidera a gigante brasileira do setor de tecnologia há mais de sete anos e, além, da questão sobre faixas etárias, fala sobre sua rotina como executivo.

Dennis Herszkowicz acorda diariamente às 4h30 da manhã – mas não prega a prática como fórmula do sucesso, pelo contrário.

“Quando eu falo sobre acordar às 4:30 da manhã, eu falo como sendo algo que eu acho que é um grande diferencial. É só uma característica minha. Eu, historicamente, durmo pouco, e isso funciona para mim. Eu durmo, sei lá, cinco ou seis horas por noite e, para mim, nesses últimos vários e vários vários anos tem funcionado”, comenta.

“Então isso significa que como eu deito normalmente cedo, eu acordo também muito cedo. Mas não é não é receita de sucesso para ninguém, não”, conclui.

Etarismo enquanto problema no mercado de trabalho

A questão abordada por Dennis, acerca de como times de Recursos Humanos lidam com pessoas de idade mais avançada no mercado de trabalho – se tornou uma constante no universo corporativo nos últimos anos, com casos espalhados nos mais diferentes ramos e em praticamente todas as indústrias.

Apesar de CEOs e cargos executivos estarem naturalmente atrelados a pessoas que estão acima de 30 ou 40 anos, contratações para outras posições hierárquicas tem uma dinâmica diferente.

Uma pesquisa do Grupo Croma, baseada no estudo Oldiversity, revela que cerca de 86% das pessoas com mais de 60 anos já sofreram algum tipo de preconceito no mercado de trabalho, independentemente de suas qualificações ou experiências.

As evidências são tanto estatísticas quanto anedóticas – e transitam entre o ambiente de trabalho e as etapas dos processos seletivos.

Um caso que ganhou grande repercussão foi quando, em 2022, um técnico e logística e segurança do trabalho, recebeu uma mensagem acidental de uma recrutadora acerca do seu currículo com a mensagem ‘cancela, passou da idade’. O profissional, à época, se candidatava para uma vaga de auxiliar de estoque em uma empresa da região metropolitana de Florianópolis (SC). Sua idade era de 45 anos.

Dados da consultoria Robert Half, de 2023, apontam que 70% das empresas contratam pouco ou nenhum profissional acima de 50 anos – uma faixa etária que representa 5% da força de trabalho das organizações brasileiras.

Apesar de o percentual da força de trabalho ficar na casa de um dígito percentual, a FGV-Ibre mostra que, entre 2012 e 2024, o número de idosos ocupados avançou praticamente 70%, chegando a 8,6 milhões.

A instituição ainda conclui que a maioria dos postos de trabalhos ocupados por estes 8,6 milhões são de remuneração reduzida e que a baixa escolaridade é um dos principais entraves, dado que mais da metade dos 8,6 milhões está na informalidade.

Fonte: IstoéDinheiro