No Mundo
Sábado, 22 de agosto de 2026

Jornal revela cartas íntimas de assessora a Trump

Natalie Harp teria dito que Trump é seu protetor e tudo o que importa para ela e teria assinado uma das cartas com a frase “com todo meu coração, Natalie”, segundo o Daily Beast

Duas cartas supostamente enviadas por Natalie Harp a Donald Trump trazem expressões e adjetivos que revelam uma relação de intimidade e a devoção da assessora ao presidente dos Estados Unidos.

Segundo o jornal Daily Beast, que revelou o conteúdo das mensagens, em uma das cartas atribuídas a Harp, ela diz a Trump que ele é seu ‘guardião e protetor’ e escreve ‘Você é tudo o que importa para mim’.”

O jornal diz que as “cartas-bombas” foram obtidas com uma fonte do governo americano pelo biógrafo de Trump, Michael Wolff. A CNN não confirmou de forma independente que Harp tenha escrito ou enviado essas cartas ao presidente e procurou a Casa Branca para comentar especificamente o conteúdo das mensagens.

“Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós. Também sei que estive distraída durante toda a semana (esquecendo de comer ao longo dos dias e até esquecendo de dormir, conseguindo dormir apenas algumas horas de cada vez)”, diz supostamente a assessora em uma das cartas. A mensagem termina com a assinatura: “Com todo o meu coração, Natalie.”

As cartas teriam sido enviadas em 2023, durante ou logo após Harp acompanhar Trump em uma viagem à Escócia e à Irlanda. Ela tinha 31 anos e Trump, 76. Ela teria dito que sente inveja das mulheres “cujo único trabalho parece ser conversar com você e ficar bonitas”.
Wolff disse ao Daily Beast que as cartas foram “descobertas por integrantes da equipe” entre as pilhas de documentos impressos que Harp entregava a Trump. Elas foram fotografadas e as imagens passaram a circular entre funcionários da campanha.

Harp trabalha do lado de fora do Salão Oval e é conhecida como a “gatekeeper” de Trump, a pessoa que controla o acesso ao presidente.

O Daily Beast afirma que a assessora se refere a si mesma pelo apelido que funcionários de Trump lhe deram: “Human Printer”, porque ela imprimia reportagens e informações positivas para entregar ao presidente.

Os detalhes das cartas foram revelados dias depois de o senador democrata da Geórgia Jon Ossoff ter feito insinuações no domingo (16), que colocaram a relação entre Trump e Natalie Harp no centro do debate político. O senador afirmou que Trump só se importava em “viajar com Natalie”.

Na terça-feira (18), o irmão de Natalie Harp, de quem ela aparentemente está afastada, deu uma entrevista à CNN. Ele disse o seguinte sobre a irmã: “Eu diria que, desde que ela tinha uns 16 anos, ela tem uma obsessão por… nossa, como posso explicar isso? Ela já escreveu cartas para outros presidentes, digamos assim.” Ele disse que estava se referindo a George W. Bush.

Veja a seguir a reprodução, na íntegra, do trecho da reportagem publicada pelo Daily Beast com os conteúdos das supostas cartas:

Uma das cartas tem tom de pedido de desculpas, sugerindo que ela temia ter irritado Trump durante a viagem.

“Desculpe”, escreve Harp. “Achei que eu tivesse sido a única deixada para trás ontem à noite e não fazia ideia de que o carro da Margot também tinha sido parado e mandado de volta ao aeroporto.”

Ela aparentemente se referia à assessora de comunicação Margot Martin. O Daily Beast afirma ter confirmado que Martin participou da viagem.

“Como eu estava sozinha na van do lado de fora da Alfândega, sem meu passaporte, entrei em pânico e deveria simplesmente ter ligado para o Serviço Secreto em vez de ligar para você”, escreveu.

Ela também pediu desculpas por ter caminhado pelo campo de golfe em vez de andar em um carrinho.

“Se houver qualquer outra coisa que eu tenha feito que tenha causado problemas para você, por favor, me perdoe.”

Fotografias mostram Harp caminhando pelo campo, de acordo com a descrição feita na carta.

“Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós. Também sei que fiquei distraída durante toda a semana — esquecendo de comer ao longo dos dias e até esquecendo de dormir, dormindo apenas algumas horas de cada vez.”

Ela conta que estava permitindo que comentários de outras pessoas a afetassem: “Não porque eu me importe com o que as outras pessoas pensam, mas porque vejo a mim mesma sendo rebaixada aos seus olhos e na boa opinião que você tem de mim. Esse é o medo que você vê, porque nunca quero trazer nada além de alegria para você.”

Ela então agradece ao ex-presidente — que posteriormente voltaria à Casa Branca — por ser “meu Guardião e Protetor nesta vida”.

A segunda carta é ainda mais íntima. Harp agradece Trump por tê-la obrigado a “se desconectar”.

Ela escreve sobre o quanto gostou de passar tempo no campo de golfe com ele:
Podíamos ficar no campo, sem máquinas, e até esquecer que horas eram! Eu não precisava ser a ‘Impressora Humana’. Podia aproveitar uma boa conversa e ainda assim terminar todo o meu trabalho no fim do dia.”

Ela diz que chegou a ter tempo para fazer longas caminhadas de manhã e à noite para apreciar o nascer e o pôr do sol — “embora eu tenha esquecido de comer e dormir!”.

Harp escreve que percebeu que Trump havia notado seu humor “ligeiramente negativo” em alguns momentos. “Eu não fazia ideia da rapidez com que estava me aproximando de um burnout e começando a sentir inveja daquelas cujo único ‘trabalho’ parece ser conversar com você e ficar bonitas. Eu quero esse trabalho!!”

Ela continua: “Muitas vezes estou simplesmente tentando me manter à tona com tudo o que está chegando para você e pareço uma corcunda que não teve tempo nem de se arrumar. (Pelo menos você sabe como eu deveria parecer!). Sinto falta dos meus dias de talk show”.

A ex-apresentadora da OAN (One America News Network) diz que sentia falta da época em que apresentava um programa e Trump ligava para ela. “Sempre me senti em uma posição intermediária, em algum lugar entre a equipe e aquelas pessoas com quem você gosta de conversar no avião ou durante o jantar, porque era isso que eu costumava ser para você quando era uma ‘apresentadora de talk show’ — por mais que eu odiasse aquele trabalho!”

Ela acrescenta: “Gostaria de poder ouvir todas as conversas, porque é quando você está se divertindo, se afastando de tudo, pelo menos por alguns instantes.”

Descrevendo a própria carta como uma espécie de “autoanálise”, Harp afirma que seu objetivo era deixar Trump orgulhoso.

“E, por favor, quando eu falhar, você vai me dizer? Você tem todo o direito de me xingar, se for necessário, quando eu merecer, porque ninguém me conhece ou se importa comigo mais do que você.”

À CNN na terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, defendeu Harp como “uma das assessoras mais leais e dedicadas da equipe do presidente Trump”. A declaração não foi feita especificamente em resposta a perguntas sobre as cartas.

CNN entrou em contato com a Casa Branca para solicitar comentários sobre as cartas. A CNN não confirmou de forma independente se Natalie Harp escreveu ou enviou essas cartas ao presidente.

Fonte: CNN