Economia
Terça-feira, 14 de abril de 2026

Setor de serviços, o de maior peso no PIB, perde ritmo em fevereiro, mostra IBGE

No acumulado em doze meses até dezembro, setor cresceu 2,7%, reduzindo o ritmo de expansão frente a janeiro (3%)

O volume do setor de serviços cresceu 0,1% em fevereiro, frente a janeiro, mostrando perda de ritmo de expansão, mostram dados divulgados nesta terça-feira, 14, pelo IBGE. Em janeiro, a alta tinha sido de 0,2%.

No acumulado em doze meses, o setor cresceu 2,7%, reduzindo o ritmo de expansão frente a janeiro (3%).

Frente a fevereiro de 2025, o volume de serviços cresceu 0,5%, seu 23º resultado positivo consecutivo. Veja aqui o detalhamento.

O resultado que ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,5%.

O setor de serviços é o que possui o maior peso na composição do PIB (Produto Interno Bruto), com participação perto de 70%.

Apesar da desaceleração, o setor de serviços está 20% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e igualou em fevereiro o topo da série histórica, previamente alcançado em novembro de 2025.

Resultado abaixo do esperado

O resultado ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,5% em fevereiro.

Analistas acreditam que o setor deve continuar mantendo alguma força em 2026, em meio a uma inflação mais baixa, mercado de trabalho ainda forte e medidas de estímulo, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, que favorecem o consumo.

No entanto, a guerra no Oriente Médio, que vem elevando os preços do petróleo e as preocupações com a inflação em todo o mundo, aumenta as incertezas. No mês passado, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante desse cenário.

“Para os próximos meses, esperamos que o impacto da alta dos combustíveis, reduzindo a renda real das famílias, e o estoque do aperto monetário continuem atuando para desacelerar o setor e esperamos um crescimento de 2% dos serviços em 2026”, disse André Valério, economista sênior do Inter.

Destaques

Na passagem de janeiro para fevereiro, três das cinco atividades monitoradas tiveram alta, com destaque para os serviços de informação e comunicação (1,1%) e para os transportes (0,6%). A outra expansão do mês ficou com os serviços prestados às famílias (1,4%), que se recuperou da perda de 0,5% registrada em janeiro.

Em contrapartida, os serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%) registraram a terceira taxa negativa seguida. Também no campo negativo, os outros serviços (-0,4%) devolveram parte do ganho observado no mês anterior (3,6%).

Queda no turismo

O índice de atividades turísticas teve retração de 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, terceiro resultado negativo seguido, período em que acumulou uma perda de 1,7%. Com isso, o segmento de turismo encontra-se 11,4% acima do patamar de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e opera, em fevereiro de 2026, 2,0% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.

“Em relação às atividades turísticas há um efeito base de comparação importante, uma vez que entre agosto e novembro de 2025 houve um aumento acumulado de 2,5%. Já entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 temos uma queda acumulada de 1,7%, devolvendo parte dos ganhos observados no período anterior”, ressaltou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior.

Fonte: IstoéDinheiro