Tecnologia
Terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

‘Bancos internacionais querem aprender com o Brasil’, diz diretor de nuvem da Amazon no Brasil

Da nuvem à IA, Cleber Morais afirma que desde 2011 houve um intenso processo de amadurecimento, em que o Brasil ‘se conectou com tudo que há de novo no mercado’

Após anos de dominância no cloud, a AWS (Amazon Web Services) tem uma nova aposta: a IA agêntica. Segundo uma pesquisa da Gartner, até 2028, ao menos 15% das decisões do dia-a-dia serão feitas de maneira autônoma através dos agentes de IA.

A companhia, que anunciou planos de investimentos de até US$ 1,8 bilhão no Brasil até 2034, busca a democratização do uso desses agentes, oferecendo soluções que ajudem na organização do fluxo de trabalho, agilidade e lucro de seus clientes.

“Se antes fazíamos reuniões com CEOs para explicar a jornada da nuvem, hoje a gente fala com a equipe de negócios. Hoje o grande decisor da tomada dos agentes reais são os donos do produto”, explica Cleber Morais, diretor da AWS no Brasil.

O que são agentes de IA?

Agentes de IA são softwares capazes de tomar decisões, agir e alcançar objetivos em ambientes digitais ou físicos.

Esses agentes de IA buscam a automação de tarefas e decisões do dia-a-dia, com o objetivo de auxiliar na organização do fluxo de trabalho, agilidade e lucro.

“No passado, quando falávamos em nuvem, você tinha 4 ou 5 fornecedores. Com os agentes, você tem uma quantidade muito maior, desde alguém que tem uma aplicação, até consultoria”, detalha o executivo.

O cenário brasileiro

Da nuvem à IA, o executivo afirma que desde 2011, ano em que a companhia chegou por aqui, houve um intenso processo de amadurecimento onde o Brasil se conectou com tudo que há de novo no mercado.

Se antes eram as startups que contavam com a tecnologia para se tornar um diferencial competitivo, hoje, os chamados ‘clientes enterprise’ (saúde, manufatura), e especialmente o setor financeiro, promovem a inovação tecnológica no país.

“Há alguns anos, o Itaú procurava o JP Morgan para entender o que eles faziam em termos de tecnologia, hoje é o contrário. O Brasil já começou a se tornar referência”, explica Morais.

Mesmo com todo o avanço, o executivo explica que a jornada, da nuvem à IA, não foi simples, e que foi necessária muita ‘evangelização’.

“Tínhamos que apresentar provas de conceito do quanto aquilo era mais ágil, quanto aquilo era mais eficiente, o quanto que aquilo poderia ter um custo menor”, conta.

O Itaú, por exemplo, está na vanguarda do movimento do uso de agentes para realizar análise de crédito. Para cada perfil de cliente são mais de 22 mil simulações para entregar de maneira personalizada através do Inteligência Itaú para Investimentos.

“Imagine que o cliente quer comprar uma moto. A ferramenta é capaz de adaptar a recomendação, mostrando um produto diferente, com mais apetite de risco do prazo, mas também com liquidez alta, como ele tinha pedido. As recomendações serão sempre recomendações individualizadas, nunca massificadas”, detalha Fred Emídio, superintendente de tecnologia do Itaú Unibanco.

Segundo a empresa, mais de 100 mil clientes já estão usando a ferramenta, que está sendo liberada gradativamente.

“A agilidade é atraente, é o novo diferencial competitivo de mercado. Antes esses bancos soltavam um novo produto em 2, 3 meses, agora estamos falando de 10, 15 dias. Por trás disso você tem um ambiente seguro e preço adequado. Por trás disso você tem a inovação.”, completa Cléber.

Fonte: IstoéDinheiro