Economia
Segunda-feira, 22 de abril de 2024

Os fatores políticos que fazem o Ibovespa subir mais de 1% e caminhar para alta na semana, apesar do mau humor externo

Aposta em PEC desidratada e rumores sobre nova equipe econômica seguem no radar dos investidores por aqui

Os dias de jogos do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo estão sendo marcados por uma liquidez reduzida e também por volatilidade dos mercados.

Nesta sexta-feira, dia de Brasil e Camarões na Copa a partir de 16h (horário de Brasília), não é diferente.

O Ibovespa chegou a virar para queda no início da sessão, logo após a divulgação dos dados de mercado de trabalho nos EUA (payroll) às 10h30 (horário de Brasília). A criação de vagas de trabalho fora do setor agrícola totalizou 263 mil no mês passado, segundo o Departamento do Trabalho, contra expectativas que apontavam 200 mil empregos em novembro. Os dados de outubro foram revisados para cima, reforçando a percepção de que ainda há muito trabalho para o Federal Reserve em desaquecer o mercado de trabalho e evitar uma espiral inflacionária com mais elevações de salários, o que afeta o fluxo de capital para países emergentes, como o Brasil.

O benchmark da Bolsa brasileira chegou a cair 0,87% no dia e o dólar chegou a R$ 5,241 na máxima, com alta de 0,84%. Contudo, a maior aversão ao risco do mercado durou pouco e o Ibovespa logo voltou a subir, chegando a uma máxima de 2,56%, enquanto a divisa americana ainda registrava alta, mas menos expressiva. Às 15h (horário de Brasília), o Ibovespa subia 1,70%, a 112.805 pontos, enquanto o dólar comercial subia 0,32%, a R$ 5,213 na compra e R$ 5,214 na venda. Na semana, o índice acumula até então ganhos de 3,5%, enquanto o dólar tem perdas de cerca de 3,70%.

Enquanto isso, ainda que diminuindo as baixas da manhã, Wall Street segue em queda nesta sexta, com Dow Jones em baixa de 0,33%, S&P500 em queda de 0,62% e Nasdaq com desvalorização de 0,82%.

Alguns motivos são apontados para a melhora, muitos deles relacionados ao que vem guiando os últimos dias dos mercados domésticos desde o fim das eleições: as sinalizações sobre o fiscal e os rumores sobre os novos nomes do governo.

Investidores seguem repercutindo as expectativas de desidratação da PEC da Transição. Uma nova sinalização foi dada: o piso para a PEC é de uma exceção de R$ 150 bilhões à regra do teto de gastos, disse nesta sexta-feira o líder do PT na Câmara dos Deputados, Reginaldo Lopes (MG), que é membro da transição de governo.

O valor ainda é visto como elevado aos olhos de vários participantes do mercado, mas está abaixo dos R$ 198 bilhões inicialmente propostos pelo governo eleito. Além disso, muitos investidores ainda acreditam que a quantia final dos gastos extrateto será negociada para nível mais baixo durante a tramitação da PEC no Congresso.

“O Brasil nesta semana esteve na contramão dos mercados. Lá fora o foco está muito no payroll, enquanto aqui vemos as taxas de juros cederem e impulsionarem as ações de consumo interno, que sofreram em novembro com a alta dos juros. O mercado está com uma sinalização política cada vez mais forte de que a PEC da Transição vai ser bem desidratada para ser aprovada e isso anima porque diminui o risco fiscal. O próprio Fed nos últimos dias ao falar de desaceleração do ritmo de alta de juros dá uma sinalização interessante para o Brasil”, avalia Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Já a Levante Investimentos apontou, em nota a clientes, que, no que diz respeito ao impacto fiscal, a equipe de Lula parece ter definido um ‘piso’ que considera razoável para minimizar os impactos fiscais negativos. “Existem, porém, pressões de dentro do Congresso e do mercado para que esse valor caia para algo entre R$ 80 bilhões e R$ 130 bilhões – a fim de evitar uma disparada da relação dívida/PIB”, avalia. “Um cenário mais pessimista estava sendo precificado e um impacto fiscal menor traz algum alívio para os ativos financeiros”, acrescentou.

Luccas Fiorelli, sócio da HCI Invest, apontou ainda que os rumores dos últimos dias de que Fernando Haddad iria para a Fazenda e um nome considerado mais pró-mercado iria para o Planejamento (novos nomes, como o de Ana Carla Abrão, chegaram a ser cogitados nesta semana) também contribuem para o movimento do índice. Já Marcelo Boragini, sócio e especialista de renda variável na Davos Investimentos, vê o movimento de mercado como mais técnico após as fortes quedas (e baixa em novembro), sendo menos relacionado ao fluxo de notícias recente.

Cabe destacar que, nesta sexta, em entrevista coletiva, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva afirmou  que só deve anunciar os nomes de seu ministério após a diplomação presidencial no dia 12 de dezembro, e disse que o nome escolhido para comandar o Ministério da Fazenda terá a cara de seu primeiro mandato.

“O meu ministro da Economia será essa cara do sucesso do meu primeiro mandato”, afirmou, acrescentando que, como presidente, ele “obviamente” quer ter inserção nas decisões políticas e econômicas do país, mesmo com a autonomia dos ministério.

Questionado se Haddad será seu ministro da Fazenda, Lula disse que não iria responder. “Se eu responder o que você quer você vai saber o que eu penso, então não vou responder.” Lula disse ter 80% do ministério montado em sua cabeça, mas ressaltou ser necessário compor com todas as forças políticas que o ajudaram a ganhar as eleições.

“Vou ser diplomando no dia 12, depois que eu for diplomado, depois que eu for presidente da República reconhecido e diplomado, aí vou começar a escolher meu ministério, não precisa ninguém ficar angustiado, nervoso, criando expectativa”, acrescentou.

Fonte: InfoMoney