Política
Sábado, 18 de maio de 2024

Com Lula virtual, PT segue na disputa em 3 cidades da Grande SP

GÉSSICA BRANDINO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A estratégia do PT de apostar em ex-prefeitos para voltar a governar cidades da região metropolitana de São Paulo não surtiu o efeito esperado no primeiro turno. Dos seis candidatos com esse perfil, só dois conseguiram avançar. Com um vereador candidato, o partido segue na disputa em três cidades.
Nos 39 municípios da Grande São Paulo, o PT lançou 26 candidaturas e não elegeu nenhuma em primeiro turno. Em 2016, seu pior resultado, fez um único prefeito na região, em Franco da Rocha.
O melhor desempenho neste ano veio em Diadema, no ABCD Paulista. Ali o PT lançou o ex-prefeito José de Filippi, que já comandou a cidade por três mandatos, os dois últimos de 2001 a 2008.
Filippi teve quase 46% dos votos e disputa o segundo turno contra o engenheiro Taka Yamauchi (PSD), que teve 15%.
No primeiro turno, em mensagem ao lado do candidato, o ex-presidente Lula declarou: “Conheci Diadema desde 1969 e conheço agora. Sei que grande parte das coisas bonitas que Diadema tem foi feita pelo companheiro Filippi quando prefeito ou secretário de obras”.
Para o segundo turno, o candidato diz que Lula está gravando mais um vídeo. “Ele sempre foi um grande amigo de Diadema, e o povo sabe disso. Ele trouxe a Unifesp a Diadema e ajudou a construir o Quarteirão da Saúde”, afirma.
Já o pior desempenho de um ex-prefeito petista na campanha foi em Rio Grande da Serra. Ramón Velásquez, que governou de 2000 a 2004, foi escolhido por apenas 487 eleitores, o equivalente a 2% dos votos válidos. Com 35% do eleitorado, foi eleito Claudinho da Geladeira (Podemos).
Em São Bernardo do Campo, após uma campanha marcada pela polarização, o ex-ministro de Lula e ex-prefeito Luiz Marinho teve 23% dos votos, insuficientes para frear a reeleição do tucano Orlando Morando, que venceu com 67% dos votos válidos.
Se em 2010 Marinho saiu pelas ruas da cidade ao lado de Lula, desta vez a pandemia impediu a presença física do ex-presidente, que se envolveu na campanha virtualmente.
Lula também gravou ao lado do aliado, a quem classificou como “melhor prefeito que São Bernardo já teve”.
Apesar da derrota, o presidente do PT na cidade, Cleiton Coutinho, destacou que a sigla conseguiu votação melhor do que em 2016, quando terminou em terceiro lugar. Ele atribuiu o resultado ruim à diferença de recursos entre as campanhas, acusando a campanha de Morando de ter feito boca de urna.
Por meio de sua assessoria, Morando disse que o dirigente deve “respeitar a vontade do povo” e reconhecer o trabalho feito por sua gestão. “Entendemos que deve ter sido uma derrota muito sofrida para o PT, por isso fica procurando justificativas”, disse.
Na região-berço do partido –onde em 2016, pela primeira vez, o PT não elegeu prefeitos– a sigla também disputa o segundo turno em Mauá, com o vereador Marcelo Oliveira, que recebeu quase 20% dos votos válidos contra 36% do prefeito Átila Jacomussi (PSB).
Em 2018, Átila foi preso após a Polícia Federal encontrar R$ 87 mil em sua residência nas buscas da Operação Prato Feito, que investiga desvios na compra de merenda escolar.
Naquele ano, os vereadores rejeitaram pedido de impeachment contra o prefeito, que acabou cassado pela Câmara em 2019. Meses depois, Átila voltou ao posto após uma decisão favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Cleiton Coutinho contabiliza os votos que foram dados para os outros candidatos –o terceiro lugar, Juiz João (PSD), recebeu 19% dos votos– para concluir que a maioria dos mauaenses busca opção ao prefeito.
Fora do ABC, os ex-prefeitos petistas Emídio de Souza e Sergio Ribeiro terminaram em terceiro lugar nas disputas de Osasco e Carapicuíba, respectivamente, onde Rogério Lins (Podemos), com 61%, e Marcos Neves (PSDB), com 73%, conseguiram a reeleição.
Emídio governou a cidade de 2005 a 2012, fez o sucessor, elegeu-se deputado estadual em 2018 e foi advogado de Lula. Desta vez, porém, não teve o mesmo apelo: conseguiu 13% dos votos e terminou atrás do vereador Elissandro Lindoso, que teve cerca de 20%.
Emídio também gravou ao lado de Lula, que o apresentou como “uma pessoa muito especial pra mim e um companheiro que tem uma trajetória política e muito bem sucedida na luta pela de defesa dos interesses do povo trabalhador em Osasco, em São Paulo e no Brasil”.
“É claro que uma presença do presidente Lula na rua impulsionaria ainda mais nossa candidatura. Entendo como a pandemia inviabilizou isso, mas o presidente gravou mensagens, e sou muito grato por esse apoio”, disse Emídio.
Embora sem o resultado esperado, o deputado diz que sai com “cabeça erguida” e que foi feito o que “estava ao alcance”, acusando Lins de abuso de poder econômico e lembrando que o PT não conseguiu eleger vereadores na cidade em 2016, o que deu espaço para novos atores na oposição.
Um dos fundadores do PT, o ex-prefeito de Guarulhos Elói Pietá manteve Lula fora de sua timeline. Teve 32% dos votos válidos e disputa com o prefeito Gustavo Costa (PSD), o Guti, que recebeu 45%.
Questionado sobre o motivo de ter deixado Lula fora da campanha na primeira etapa e se isso mudará durante o segundo turno, o petista desconversou e disse, por meio da assessoria, que pretende focar em temas locais.
“Os eleitores querem discutir sua cidade, não querem discutir temas nacionais. Prova disso foi a derrota de todos os candidatos que tentaram nacionalizar a disputa”, diz.