Economia
Sábado, 18 de maio de 2024

QuintoAndar desembolsa R$ 50 milhões com atraso de aluguéis durante coronavírus. “Modelo de negócio parou de pé”, diz CEO

Desde que o serviço foi implementado, em 2015, a startup pagou R$ 200 milhões em aluguéis atrasados a seus proprietários

Por Letícia Toledo

Quando a startup imobiliária QuintoAndar estreou o “Proteção QuintoAndar” — que garante ao proprietário do imóvel o pagamento em dia do aluguel mesmo em caso de inadimplência do inquilino —, em 2015, o serviço não passava de uma aposta. Agora, diante da maior crise econômica já enfrentada pela empresa, a aposta se pagou, afirma Gabriel Braga, co-fundador e CEO da companhia.

Desde o início da pandemia, em março, o QuintoAndar desembolsou cerca de R$ 50 milhões para quitar aluguéis atrasados por inquilinos — valor este que, segundo a startup, foi bancado sem grandes problemas.

Embora tenha trazido um modelo inédito e bem-sucedido na atração de clientes, a Protenção Garantida da empresa sempre foi vista como um risco em uma grave crise financeira, como a atual. Como a companhia faz o seguro de toda a sua carteira, o receio era que a taxa de inadimplência disparasse e ela não conseguisse bancar todas as perdas.

“No começo da crise a gente chegou a projetar diversos cenários extremos de inadimplência. A inadimplência subiu, mas foi menor do que o projetado e nosso modelo parou de pé”, afirmou Braga em entrevista ao InfoMoney.

De 2015 até aqui, o QuintoAndar pagou um total R$ 200 milhões em aluguéis atrasados para 20 mil proprietários, segundo dados divulgados pela primeira vez nesta terça-feira (21).

Desde a sua fundação, em 2012, uma das principais propostas de valor da startup foi arcar com o custo e a burocracia do seguro fiança. Para isso, a plataforma iniciou suas operações contratando apólices de seguro para cada imóvel que alugava.

“A gente arcava com os custos e operava no negativo, mas sabíamos que, se esse negócio funcionasse e crescesse, existia uma maneira de fazer o seguro custar muito menos”, contou André Penha, co-fundador da startup, em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo no ano passado.

Quando já possuíam dados suficientes sobre o perfil dos locatários e a taxa de inadimplência, os fundadores tentaram negociar uma apólice coletiva para a sua carteira. Como as seguradoras não aceitaram, eles resolveram montar o próprio modelo e assumir os riscos.

Com a Proteção QuintoAndar, a startup sempre defendeu que conseguiria atrair os melhores clientes nas duas pontas de seu negócio. Do lado dos locadores, teria bons imóveis de pessoas que querem alugar e ter sua renda garantida. Do lado dos locatários, a eliminação do custo do seguro fiança e uma a seleção criteriosa — baseada em uma ampla e tecnológica análise de dados —, atrairia bons pagadores.