No Mundo
Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

China condiciona compras agrícolas dos EUA à redução de tarifas

Pequim cobra implementação de acordo comercial; Casa Branca anunciou compromisso de US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas além da soja.

A China condicionou a ampliação das compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos à implementação de um acordo de redução recíproca de tarifas. A posição foi apresentada pelo Ministério do Comércio chinês nesta quinta-feira (5), em meio a dúvidas sobre o ritmo das importações.

Pequim afirmou que permanece disposta a aumentar as aquisições, mas considera as concessões tarifárias essenciais para viabilizar as operações. O pacote em negociação ainda não foi finalizado.

China cobra redução de tarifas e maior acesso ao mercado

O porta-voz do Ministério do Comércio, Huang Ling, disse que a disposição chinesa para ampliar as compras depende do cumprimento do entendimento entre os dois países.

“A China tem se mostrado consistentemente aberta a ampliar as compras de produtos agrícolas dos EUA, mas somente sob a condição de que as duas partes implementem seu acordo de redução tarifária recíproca de ‘US$ 30 bilhões por US$ 30 bilhões’”, afirmou.

Huang acrescentou que Pequim espera cooperação dos Estados Unidos para reduzir tarifas, diminuir barreiras não tarifárias e ampliar o acesso ao mercado.

Após uma cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, realizada em setembro, em Washington, os dois governos propuseram um pacote de reduções tarifárias recíprocas de US$ 60 bilhões.

Compromisso prevê US$ 17 bilhões anuais em compras agrícolas

A Casa Branca informou em maio que a China havia concordado em adquirir US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas norte-americanos a partir de 2026, com ajuste proporcional da meta deste ano.

O compromisso envolve produtos além da soja e se soma ao entendimento firmado em outubro de 2025 para a compra da oleaginosa.

Permanece, porém, a incerteza sobre quando começa a contagem do prazo para essas aquisições. Washington não esclareceu se o período teve início com o anúncio de maio ou se dependerá da conclusão dos cortes tarifários propostos.

Compras de outros produtos agrícolas somam US$ 7,2 bilhões

A China está a caminho de cumprir sua meta de compra de soja, conforme análise da Reuters. O desempenho dos demais produtos agrícolas tem sido mais fraco.

Entre janeiro e setembro, Pequim adquiriu US$ 7,2 bilhões em produtos agrícolas dos EUA além da soja, incluindo carne e milho.

As importações dessas mercadorias ficaram no menor nível para o período desde 2019, durante a primeira guerra comercial entre os dois países.

O ritmo das aquisições amplia as dúvidas sobre uma aceleração das compras até o fim do ano e pressiona agricultores norte-americanos que já enfrentam custos elevados com combustível.

Grupo de trabalho agrícola deve se reunir até dezembro

China e Estados Unidos criaram um grupo de trabalho agrícola, que deverá se reunir antes do encerramento do ano.

Operadores ouvidos pela Reuters afirmaram que tarifas mais baixas seriam necessárias para tornar compras em grande escala comercialmente viáveis.

A Casa Branca não pôde ser contatada imediatamente para comentar o assunto fora do horário comercial.

Fonte: AFP