NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) lançou nesta quinta (7) edital em busca de parceiros para oferecer crédito a micro e pequenos empresários por meio de canais digitais de pagamento, como maquininhas de cartão ou fintechs.
O banco vai colocar R$ 4 bilhões em fundos de crédito com essa finalidade e espera que os parceiros coloquem outros R$ 1 bilhão. O dinheiro, porém, só deve estar disponível entre o fim de junho e o começo de julho, disse o diretor do BNDES, Bruno Laskowski.
Até lá, a instituição trabalhará na escolha dos parceiros e na estruturação dos fundos de crédito que emprestarão os recursos. A ideia é lançar até dez fundos, para que operadores de máquinas de cartões, plataformas digitais de venda ou fintechs emprestem os recursos.
Segundo Laskowski, o objetivo é diversificar o acesso ao crédito, mirando principalmente empreendedores e empresários que hoje não têm acesso a financiamentos em instituições financeiras. Entre os públicos alvos, estão pequenos comerciantes, restaurantes e motoristas de aplicativo.
“A gente sabe que isso é um elemento central nesse momento de pandemia: chegar naquele que mais precisa. A preocupação objetiva que esse recurso chegue nesse momento e chegue para a quelas camadas que mais precisam”, afirmou.
Desde o início da pandemia, o banco vem lançando linhas de crédito emergencial, mas sempre em parceria com bancos. Nessa lista, estão os financiamentos da folha de pagamento e o crédito para capital de giro.
Setores alvo desses programas, porém, reclamam de dificuldades para obter os financiamentos junto aos bancos e das altas taxas de juros. A linha de capital de giro, por exemplo, está saindo com taxa de juros média de 12,28%.
A taxa da linha que foi lançada nesta quinta será definida em processo competitivo para a escolha dos parceiros: assim como prazo de pagamento, ela é um dos critérios que vão nortear a escolha das empresas.
O banco estabeleceu, porém, o máximo de 3,5% ao mês para os empréstimos concedidas por grandes empresas, como as plataformas de negociação e as empresas de cartões. Para fintechs, o máximo é 4% ao mês.
“Entendemos que as taxas são competitivas. Se a gente olha como é hoje, a gente está falando de clientes que pagam taxas de cartão de crédito, de crédito rotativo”, disse Lakowski. “E o processo competitivo que a gente está fazendo é para reduzir essa taxa.”
Os empréstimos por máquinas de cartões ou plataformas de comércio eletrônico terão limite de R$ 200 mil por cliente com prazo igual ou superior a nove meses de pagamento para pelo menos 75% das operações.
A outra linha, operada por fintechs, terá limite de R$ 2 milhões por cliente e prazo igual ou superior a 12 meses em pelo menos 75% das operações. Segundo o banco, a ideia é que os prazos também sejam estendidos no processo competitivo de escolha dos parceiros.
Ao contrário das linhas emergenciais, a ideia é que esse tipo de empréstimo seja mantido após a pandemia, tornando-se mais uma alternativa de acesso a recursos do BNDES por pequenas empresas.
Economia
Segunda-feira, 19 de outubro de 2026
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