
O Tesouro Nacional destacou o retorno ao mercado europeu após mais de uma década de ausência de emissões nesse segmento
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira que o governo brasileiro captou 5 bilhões de euros por meio de uma oferta de títulos públicos no mercado europeu, ressaltando que a operação teve demanda maior do que o previsto.
O Tesouro Nacional havia anunciado mais cedo nesta quarta-feira a oferta de títulos denominados em euros, ao destacar que se tratava de um retorno ao mercado europeu após mais de uma década de ausência de emissões nesse segmento.
“Conseguimos uma captação histórica”, disse o ministro em entrevista a jornalistas em Washington. “Voltamos agora ao mercado europeu com grande sucesso e vamos prospectar novos mercados ainda até o fim do ano.”
O IFR, serviço da LSEG, havia indicado inicialmente uma expectativa de que a emissão pelo Brasil somaria até 4 bilhões de euros, mas apontou no início da tarde que o resultado ficou em 5 bilhões de euros.
Os novos títulos têm vencimentos em 4 anos (EURO 2030), 7 anos (EURO 2033) e 10 anos (EURO 2036), com operação liderada pelos bancos BBVA, BNP Paribas, Bank of America e UBS.
De acordo com o IFR, a emissão totalizou 2 bilhões de euros com o título de 4 anos, 1,5 bilhão de euros com o papel de 7 anos e mais 1,5 bilhão de euros com o de 10 anos.
Em comunicado de anúncio da emissão, o Tesouro disse que a decisão de emitir os papéis ocorreu após uma rodada bem‑sucedida de conversas com investidores na véspera e diante de condições favoráveis de mercado.
O Tesouro havia informado na terça-feira o início de conversas com investidores sobre a emissão, argumentando que o governo busca oferecer referência para outros emissores domésticos e contribuir para a “diversificação cambial” da dívida pública.
Ministro descarta mudança na meta orçamentária para 2027
O ministro também rebateu as projeções de economistas que questionam a capacidade do governo federal em cumprir a meta fiscal de 2027. Em resposta ao ceticismo de agentes econômicos sobre o objetivo de superavit de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), Durigan assegurou que não haverá alteração no alvo fixado. Segundo ele, a estratégia para viabilizar o resultado se baseia no corte de benefícios fiscais indevidos e em um controle rigoroso de gastos com a folha de pagamento.
“Vai haver um grande aperto em termos de despesa com pessoal e outras estratégias em termos de incorporação dos precatórios também de maneira bastante cuidadosa e conservadora. Vamos perseguir a meta de 0,5% de superavit o ano que vem não com narrativa ideológica vaga que busca só polarizar na política, mas com compromissos pragmáticos que são atingíveis”, afirmou.
Durigan finalizou afirmando que a contenção de despesas operacionais e a eficiência na arrecadação, por meio da redução de renúncias, são os pilares para sustentar a credibilidade do novo arcabouço fiscal diante da volatilidade do mercado.
Fonte: IstoéDinheiro
