No Mundo
Quarta-feira, 8 de abril de 2026

Macron celebra a trégua entre Irã e EUA como ‘algo muito bom’ e pede inclusão do Líbano

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou nesta quarta-feira (8) como “algo muito bom” o anúncio de trégua entre Estados Unidos e Irã, quando se cumpria o prazo fixado por Washington para destruir o país.
“Esperamos que possa ser plenamente respeitado em toda a região e permita a realização de negociações que resolvam de maneira duradoura as questões nucleares, balísticas e regionais relacionadas ao Irã”, acrescentou.
Israel, que entrou no conflito há mais de um mês junto com os Estados Unidos, expressou seu apoio à decisão de suspender os bombardeios durante duas semanas, mas disse que a trégua “não inclui o Líbano”.
No entanto, o Paquistão, que atuou como mediador, havia dito que o Líbano estava incluído no acordo.
“Nosso desejo neste contexto é garantir que o cessar-fogo inclua plenamente o Líbano”, acrescentou Macron.
Mais cedo, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, celebrou o cessar-fogo de duas semanas anunciado nesta terça-feira (7), disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em um comunicado.
Ele pediu às partes que trabalhem para alcançar um acordo de paz de longo prazo no Oriente Médio.
Acrescentou que o chefe da ONU “faz um apelo a todas as partes no conflito atual no Oriente Médio para que cumpram suas obrigações nos termos do direito internacional e respeitem os termos do cessar-fogo, a fim de abrir caminho para uma paz duradoura e abrangente na região”.
Países como a Austrália e a Indonésia também celebraram o cessar-fogo.
O primeiro-ministro australiano Anthony Albanese deu as boas-vindas ao cessar-fogo no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que criticou a retórica do presidente Donald Trump.
Trump concordou com um cessar-fogo de duas semanas menos de duas horas antes do prazo que havia dado a Teerã para reabrir o estreito de Hormuz ou enfrentar ataques devastadores à sua infraestrutura civil.
O anúncio nas redes sociais representou uma reviravolta abrupta em relação ao início do dia, quando ele emitiu um alerta extraordinário de que “toda uma civilização morrerá esta noite” se suas exigências não fossem atendidas.
Albanese disse em entrevista à Sky News que a retórica é preocupante.
“Não acho apropriado usar uma linguagem como essa vinda do presidente dos Estados Unidos, e acredito que isso causará alguma preocupação”, afirmou.
Embora tenha apoiado os ataques dos EUA ao Irã nos primeiros dias da guerra, Albanese expressou desconforto com o conflito nas últimas semanas.
Na semana passada, o primeiro-ministro disse que queria mais clareza de Trump sobre os objetivos da guerra, ao mesmo tempo em que pedia uma desescalada por todas as partes envolvidas.
Trump criticou a Austrália nesta semana pela falta de apoio.
“A Austrália não nos ajudou”, disse em uma entrevista, destacando o país junto com Japão e Coreia do Sul.
Nesta quarta (8), a Indonésia apelou a todas as partes para que respeitem a soberania, a integridade territorial e a diplomacia, em comunicado de Yvonne Mewengkang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.
O Iraque, onde o conflito deixou mais de cem mortos, disse por meio de seu Ministério das Relações Exteriores que “acolhe com satisfação” a decisão, mas pediu um “diálogo sério e sustentável” entre os Estados Unidos e o Irã.
O Japão afirmou que são necessárias “medidas concretas” para reduzir a tensão, incluindo garantir a passagem segura dos navios pelo estreito de Hormuz.
A quarta maior economia do mundo é o quinto maior importador de petróleo do mundo e cerca de 70% de seu petróleo bruto passava por essa via marítima antes da guerra.
“Esperamos que se chegue a um acordo definitivo por meio da diplomacia o mais rápido possível”, disse o porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara.
“A China saúda o anúncio das partes envolvidas sobre a celebração de um acordo de cessar-fogo”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Mao Ning, acrescentando que o país continuará trabalhando para restaurar a paz no Oriente Médio.
A Coreia do Sul saudou o cessar-fogo e expressou sua esperança de que permita a passagem segura de todos os navios, incluindo os seus, pelo estreito de Hormuz.
“O governo da Coreia do Sul espera que as negociações entre ambas as partes sejam concluídas com sucesso e que a paz e a estabilidade no Oriente Médio sejam restabelecidas o mais rápido possível”, declarou o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado.
A Nova Zelândia celebrou o cessar-fogo, mas advertiu que ainda há “muito trabalho” a ser feito para garantir a paz.
“Embora seja uma notícia encorajadora, ainda há muito trabalho importante a ser feito nos próximos dias para garantir um cessar-fogo duradouro”, disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores, Winston Peters.

Fonte: FolhaPress