No Mundo
Terça-feira, 31 de março de 2026

Trump diz que EUA não ajudarão mais Reino Unido em Hormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para criticar mais uma vez o Reino Unido por não ajudar os Estados Unidos na invasão feita ao Irã no fim de fevereiro.
Citando nominalmente o Reino Unido, o republicano sugeriu que os países que não se envolveram na guerra devem “ir atrás do seu próprio petróleo”. “Tenho uma sugestão: número 1, comprem dos EUA, temos bastante [petróleo], e número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM”, disse, em post.
“Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar”, disse Trump.
Minutos depois, o presidente criticou a França pelo seu posicionamento na guerra. “Eles não deixam os países que vão para Israel com suprimentos militares voarem sobre o território francês. A França tem sido MUITO INÚTIL. Os EUA se lembrarão”, disse.
Relação histórica dos EUA com o Reino Unido ficou estremecida com o começo da guerra. O primeiro-ministro Keir Starmer, disse ao Parlamento que seu governo “não acredita em mudanças de regime vindas do céu”, frase que irritou a Casa Branca.
Diante das pressões, Londres acabou autorizando o uso de duas bases militares britânicas pelos Estados Unidos para um “propósito defensivo específico e limitado”. A decisão, porém, não foi suficiente para aplacar a insatisfação do presidente americano.
Ao tabloide The Sun, Trump disse que nunca imaginou que o Reino Unido se mostraria “pouco prestativo” diante de uma crise. Ele lamentou o desgaste e disse que, agora, os EUA têm “relações muito fortes com outros países da Europa”.
Starmer se esforçava para manter uma interlocução cordial com Trump, fazendo duas visitas de estado no mesmo ano aos EUA. Qualquer envolvimento direto em operações no Oriente Médio, porém, segue politicamente arriscado para Londres. O fantasma da guerra do Iraque de 2003, que custou a vida de 179 militares britânicos e manchou a reputação de Tony Blair e paira sobre o debate de segurança nacional.
TRUMP CITA NEGOCIAÇÃO, MAS FAZ AMEAÇA
Trump disse que negociações atuais são sérias e que grandes progressos foram feitos. O republicano ressaltou que as conversas estão sendo realizadas com o novo regime iraniano “mais razoável”, como classificou. Ele não detalhou com qual liderança de Teerã a negociação está sendo pautada.
O presidente dos EUA ameaçou explodir a infraestrutura vital iraniana. Na rede social Truth Social, Trump afirmou que caso o Irã não concorde com sua proposta para encerrar a guerra e se o Estreito de Hormuz não for liberado “imediatamente” para negócios, ele irá autorizar a explosão de todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo, da Ilha de Kharg e “possivelmente todas as usinas de dessalinização”.
Ele declarou que os EUA ainda não atingiram essa infraestrutura por decisão dele. “Isso será em retaliação pelos nossos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou durante os 47 anos do reinado de terror do antigo regime”, publicou.
Apesar de falar em “acordo próximo”, os EUA não descartam uma invasão terrestre ao Irã. O objetivo da invasão seria extrair cerca de 450 quilos de urânio do país, segundo o jornal Wall Street Journal.
Trump insiste que, para que a guerra acabe, o Irã deve abrir mão de seus estoques de urânio enriquecido. Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval composto por “cerca de 3.500” marinheiros e soldados do Corpo de Fuzileiros Navais, chegou à região na sexta-feira passada.
Outra área estratégica visada pelos EUA é a ilha de Kharg. A faixa de terra situada no norte do Golfo, já bombardeada pelos EUA em meados de março, abriga o maior terminal petrolífero do Irã, responsável por cerca de 90% de suas exportações de petróleo bruto.
EUA estão esperançosos de alcançar diálogos positivos com o Irã, disse o secretário de Estado, Marco Rubio. Ele afirmou que, em “caráter privado”, funcionários ligados ao regime iraniano enviaram mensagens favoráveis às negociações entre os países.

Fonte: FolhaPress