Política
Terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Mendonça resiste em enviar caso Master para a 1ª instância

Relator vê risco de nulidade com desmembramento de ação e deu prazo de até 60 dias para PF apresentar indícios sobre autoridades com foro privilegiado

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF (Supremo Tribunal Federal), é resistente à ideia de enviar o processo que apura a fraude financeira para a primeira instância neste momento.

O magistrado também vê com dificuldade o eventual desmembramento da ação diante das conexões apontadas entre as diversas frentes de investigação.

Antes de uma definição, contudo, Mendonça deu até 60 dias para a PF apresentar um levantamento de indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado e o banqueiro Daniel Vorcaro. A partir disso, o relator deverá se manifestar sobre esse ponto.

Até agora, as reuniões de Mendonça com os investigadores estariam se dedicando ao procedimento do inquérito, mas ainda sem avançar sobre situações específicas de autoridades com foro, apurou a CNN.

Na decisão da semana passada, Mendonça determinou a devolução do material apreendido à PF e autorizou que a corporação faça as extrações, análises e indexações dos cerca de 100 dispositivos eletrônicos apreendidos.

Segundo apurou a CNN, Mendonça, que assumiu a relatoria no lugar do ministro Dias Toffoli, tem três preocupações para manter o caso Master integralmente na Corte.

Uma delas é justamente que o desmembramento possa gerar brecha para a alegação de nulidade dos atos no processo.

Outro temor para resistir ao envio do caso à primeira instância ou à divisão do processo é o risco de vazamento de informações, visto que abre a possibilidade de mais pessoas com acesso ao inquérito.

Por fim, o ministro acredita que a remessa — mesmo parcial — do processo à primeira instância, neste momento, geraria atrasos no andamento das investigações.

Na quinta-feira (19), em sua primeira decisão como relator do Caso Master, Mendonça restringiu o acesso da cúpula da PF aos detalhes do inquérito. O objetivo é proteger as informações ao permitir que apenas investigadores diretamente ligados às diligências tomem conhecimento dos dados.

De acordo com interlocutores do ministro, não se trata de um ato específico contra o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, mas de uma técnica de compartimentação da informação adotada como padrão pelo magistrado em todos os processos.

Nesta segunda-feira (23), Mendonça teve uma segunda reunião, de cerca de três horas, com delegados da PF que atuam no caso Master para uma atualização das investigações.

Durante a audiência, a Polícia Federal apresentou um relato atualizado sobre o andamento das apurações. A reunião também foi destinada à apresentação, à PF, da relação de processos vinculados à Operação Compliance Zero e de seus desdobramentos que tramitam na Corte sob a relatoria do ministro.

Antes da reunião com os delegados da PF, Mendonça também recebeu advogados de Vorcaro.

Fonte: CNN