No Mundo
Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Greve na Argentina contra reforma trabalhista de Milei cancela voos no Brasil

A greve geral de 24 horas convocada pelas principais centrais sindicais da Argentina nesta quinta-feira (19) em protesto contra a reforma trabalhista do presidente Javier Milei interrompeu o funcionamento dos principais aeroportos do país e provocou cancelamentos e reprogramações de voos entre Buenos Aires e o Brasil.
No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, pelo menos 21 voos com origem ou destino à Argentina foram cancelados nesta manhã, incluindo partidas e chegadas de Buenos Aires e Mendoza.
As rotas envolviam companhias como Aerolíneas Argentinas, Gol, Latam, além de voos internacionais operados por Delta, Air France e outras.
Os cancelamentos também são informados nos demais aeroportos internacionais do país, como Rio Galeão, no Rio de Janeiro; no Afonso Pena, em Curitiba; e no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
A Latam Airlines disse, em comunicado, que alterou sua operação diante da adesão formal dos sindicatos que representam trabalhadores da Intercargo empresa responsável pelos serviços de pista nos aeroportos argentinos à paralisação. A empresa ressaltou que alguns voos podem operar com mudanças no horário ou data, sem necessariamente serem cancelados.
Segundo a companhia, os passageiros afetados pelos cancelamentos e/ou reprogramações do dia 19 de fevereiro poderão optar por alteração sem custo (podendo ser ida e/ou volta) para um novo dia, dentro de um ano, a partir da data original do voo ou reembolso integral da reserva.
A Gol afirmou que a greve “impossibilitará todas as operações aeroportuárias” nas principais cidades argentinas incluindo Buenos Aires, Córdoba, Mendoza e Rosário e também comunicou aos clientes a possibilidade de remarcações sem custos ou opção por reembolso.
A Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos por causa da adesão de pilotos, funcionários aeronáuticos e até de trabalhadores petroleiros que abastecem aviões.
Em comunicado, a companhia afirmou que a greve afetará 31 mil passageiros e terá um impacto econômico de US$ 3 milhões (R$ 15,71 milhões) para a estatal aérea.
A companhia argentina disse ainda que aplicará os descontos salariais correspondentes aos funcionários que participarem da greve pelo dia não trabalhado e que adotou medidas para reduzir os transtornos, como reprogramação de voos, antecipações e ajustes fora do período da greve.
Sindicatos liderados pela CGT (Confederação Geral do Trabalho) pressionam parlamentares a rejeitarem ou modificarem o texto da reforma aprovada na semana passada no Senado e que começa a ser discutida nesta quinta na Câmara dos Deputados.
O projeto reduz indenizações, permite pagamentos em bens e serviços, estende a 12 horas a jornada de trabalho e limita o direito de greve, entre outros pontos.
Na visão das entidades, é um retrocesso, pois precariza relações de trabalho e reduz direitos conquistados ao longo de décadas.

Fonte: FolhaPress