
Ainda em 2025, irregularidade das chuvas com altas temperaturas afetaram desenvolvimento das lavouras
A safra de café de 2026/27 no Brasil está se desenvolvendo sob condições climáticas mais favoráveis do que as registradas em anos anteriores, conforme aponta pesquisadores do Cepea. Mas, análises destacam que a irregularidade das chuvas e picos de temperatura acima de 34°C acendem o alerta aos produtores sobre a produtividade e qualidade dos grãos.
Especialistas da Fundação Procafé alertaram que os últimos meses de 2025 foram marcados por uma forte instabilidade climática, que atingiu as principais regiões cafeeiras do Brasil (Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Triângulo e Mogiana Paulista). Dados da Fundação mostram que em dezembro/25 as precipitações ficaram abaixo da média, e muitas localidades encerraram o ano com armazenamento, mas também com déficit hídrico. Varginha, por exemplo, fechou o ano passado com um armazenamento de 82,4 mm, uma vez que o esperado era um acumulado de 260 mm, mas a região registrou apenas 245 mm. Já Boa Esperança registra um déficit de 52 mm, e Guapé uma insuficiência de 152 mm.
Ainda segundo os especialistas da Procafé, outro grande desafio enfrentado pelos produtores nos últimos meses têm sido a divergência das chuvas de uma região para outra, e o fato que, muitas vezes, dentro de uma mesma cidade a precipitação chega com intensidade distinta. “A região do sul de Minas mostrou essa enorme discrepância. E isso aí tem acontecido com mais frequência nos últimos anos. Exemplo, às vezes na fazenda experimental chove 50, 70 mm e na fazendo do meu pai, que é praticamente dentro da mesma cidade, chove 10, 20 ou 30 mm”, explicou o engenheiro agronômo do Procafé, Rodrigo Naves Paiva, durante podcast da fundação.
O engenheiro agrônomo e consultor em cafeicultura, Jonas Leme Ferraresso, conta que o início da florada para o ciclo 2026/27 foi marcado por pouca chuva, a pós florada manteve um clima irregular, e agora enfrentamos um cenário com chuvas muito localizadas, “a gente tem um fenômeno de chuvas concentradas em poucos dias, que não é tão efetivo para uma cultura agrícola como o café. O importante é que o volume seja distribuído ao longo do mês. E a gente também teve um pico de temperatura fora da margem histórica perto do Natal, dia 23 mais ou menos, um pouquinho antes aí do Natal até o Ano Novo”, completou.
Jonas pontua que apesar deste cenário climático, as lavouras estão se desenvolvendo com um vigor bom, mas o excesso de chuva atrapalha um pouco os manejos. “A umidade excessiva pode favorecer a propagação de pragas e doenças, como a broca do café, que é uma das principais preocupações dos produtores, pois pode causar perdas significativas na produção. A gente não tem um controle efetivo da broca do cafeeiro como se tinha antigamente. Além disso, as chuvas em excesso prejudicam a atividade de roçada e a adubação”, alertou o agrônomo.
Informações da Procafé mostram então que para 2026, a produção cafeeira no Brasil não terá um problema de peneira tão grave quanto foi em 2024. “Se aquela temperatura entre Natal e Ano Novo tivesse ocorrido em setembro ou em outubro, nós teríamos o mesmo problema de 2024”, reforçou os especialistas.
“O importante agora é os produtores seguirem preparados para enfrentar os desafios que se apresentam. Mas, com um manejo adequado e condições climáticas seguindo favoráveis, a safra de 2026 pode ser um sucesso”, projetou Ferraresso.
Fonte: Notícias Agrícolas
