
A expansão da cozinha coreana acontece por diferentes caminhos na cidade. Há casas que usam a referência mesmo sem ter menu asiático; restaurantes dos redutos, como Bom Retiro e Aclimação; e, recentemente, os que atendem descendentes -mas recebem com abertura curiosos por conhecer essa comida.
É o caso do Oseyo, que lembra a sensação de estar entrando numa casa de família. Na cozinha aberta, a mãe comanda as panelas enquanto filha e genro atendem os clientes. A história do lugar remete aos tempos de pandemia. Foi quando Lúcia Lee, nascida em Seul, encontrou nas receitas de sua terra natal uma alternativa ao trabalho no ramo da confecção.
Começou como delivery e há dez meses virou um restaurante de salão pequeno, com mesas de ferro. Nele, o kimchi (R$ 9) é onipresente. Chegou ácido e bem picante como deve ser, mas com leve amargor indesejado. Já como recheio do mandu, espécie de bolinho frito (R$ 37 a porção com seis unidades), estava ótimo.
O tangsuyuk (R$ 52) é outra boa opção para começar. São shiitakes finamente empanados embaixo de um molho espesso, ácido e adocicado. Mas peça se for para compartilhar, porque a porção é grande e, apesar de gostosa, pode enjoar.
Pense nisso antes de pedir os pratos. Uma entrada agridoce seguida de um prato como o bulgogui (R$ 79), carne bovina marinada em molho também adocicado, pode não ser uma boa ideia.
Neste caso, melhor algo mais neutro, como o bibimbap (R$ 68), tigela que chega colorida por muitos legumes, arroz, carne marinada e ovo. O gochujang, pasta de pimenta fermentada, vem à parte. A ideia é quebrar o ovo, misturar tudo e comer de colher.
O melhor pedido foi o jeyuk bokkeum (R$ 79), panceta refogada com legumes no molho apimentado caseiro. Vem com arroz e banchan, acompanhamentos que variam conforme o dia.
A bebida escolhida também pode ajudar. A boa e velha água com gás é mais recomendada que o refrigerante coreano (R$ 8) de melão ou melancia. Muito doce, pode arruinar a experiência.
Faltam opções de sobremesa. A casa tem apenas biscoitinhos coreanos (R$ 14) feitos com farinha de moti, melaço de arroz coreano, gengibre e canela. No dia da visita, essa única opção tinha acabado.
O nome Oseyo significa “venha”, em português. Vale mesmo ir. E se estiver ciente dos horários pouco amigáveis: à noite a casa fecha cedo, às 21h, e só recebe os clientes até quinze minutos antes desse horário. Depois disso, não adianta insistir.
OSEYO
Avaliação: Bom
Onde: R. França Pinto, 637, Vila Mariana, região sul
Instagram @restaurante.oseyo
Fonte: FolhaPress