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Sexta-feira, 12 de abril de 2024

Pátria compra Igah e dobra valor de novo fundo

Com novo sócio, gestora de venture capital de Pedro Melzer vai buscar US$ 300 milhões no quarto fundo

O Pátria acaba de anunciar a compra da Igah Ventures, ampliando o estágio de companhias em que pode investir e mostrando que a aposta da firma venture capital veio para ficar. A incursão da tradicional gestora de venture capital por empresas menos maduras já havia começado no ano passado, com a compra da StartSe e a associação com a Kamaroopin, do ex-Tarpon Pedro Faria.

Num acordo costurado nos últimos meses com a Igah, o Pátria adquiriu 100% da gestora fundada por Pedro Sirotsky Melzer. A transação será toda paga em ações, o que fará de Melzer e os demais sócios da gestora de venture capital sócios do Pátria. Os valores do M&A não foram divulgados.

“É um espaço muito importante, mas ainda não atuávamos. O investimento na criação de empresas floresceu no últimos anos, o que é muito importante para a economia e o ambiente empreendedor. Achamos que a Igah é a parceira ideal”, disse Ricardo Scavazza, um dos principais sócios e CIO do Pátria, ao Pipeline.

Uma mudança recente na composição societária da Igah abriu espaço para buscar novos controladores e novos formatos. Em agosto, Luciano Huck, Gilberto Sayão, Rodrigo Xavier e Eduardo Melzer, que eram sócios investidores, deixaram de compor o negócio.

Ao passar para o guarda-chuva do Pátria, uma gestora com mais de US$ 26,5 bilhões sob administração, a Igah passa a ter acesso a uma base de investidores mais ampla, o que dará mais poder de fogo, com fundos mais gordos sem perder a estratégia que marcou a história da gestora, disse Melzer.

A Igah estava trabalhando na captação de seu quarto fundo, um veículo de US$ 150 milhões, quando as negociações em torno do M&A esquentaram. O processo de captação em stand-by e agora será retomado em um montante maior.

“Devemos chegar na casa dos US$ 300 milhões, talvez um pouco mais”, contou Melzer. Os detalhes do quarto fundo da Igah ainda precisam ser definidos, mas a expectativa é que a gestora faça o primeiro closing desse veículo até o meio do ano que vem.

Segundo Melzer, o novo fundo é uma demonstração de confiança no ecossistema de inovação, que ficou mais seletivo após o aperto monetário e enxugou a liquidez que irrigava negócios que nem sempre tinham fundamento.

“Para ser bem enfático, estamos muito animados com o momento. Hoje, há um grande filtro. Quem está no mercado tem muita convicção e os empreendedores estão olhando de forma mais séria para desenvolver seus projetos, o que torna a classe de ativos mais saudável”, disse Melzer.

Para o Pátria, a chegada da Igah é também uma forma de ampliar o conhecimento de algumas indústrias em seus diversos estágios. Na área de saúde, por exemplo, a área de private equity já investiu em empresas como Drogasil, Dasa e Alliar, enquanto a Kamaroopin (que olha para investimentos no que Scavazza chama de growth equity) é investidora de dr. consulta e Zenklub. A Igah, por sua vez, investiu em healthtechs como Conexa Saúde e Labi Exames.

Além de Melzer, o Pátria passa a contar com outros três sócios oriundos da Igah: Thiago Maluf, Márcio Trigueiro e Camila Sangali — o quarteto operacional do negócio.

Fonte: Pipeline Valor