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Obra de Antunes Filho ganha vida nas mãos de Luiz Päetow no Oficina

Nesse estranho projeto nomeado “{TEATRÃO} $odoma\G/omorra: Antunes Filho”, o ator Luiz Päetow busca dar vida a um texto dramatúrgico escrito pelo encenador Antunes Filho -morto no início de 2019- e deixado aos seus cuidados com a mensagem “só você pode encenar essa peça”.
Depois de vários meses de trabalho com o texto, que resultaram em algumas experiências em vídeo com a participação de artistas como Grace Passô, Jé Oliveira, Matheus Nachtergaele e outros, Päetow começou agora uma série de solitárias experiências presenciais no teatro Oficina. A expectativa é que essas sessões formem um tipo de processo aberto de criação e estudo do texto às vistas do público.
Durante a experiência, o ator encarna duas históricas compreensões do teatro que se tornaram emblemáticas na cidade de São Paulo. De um lado, o rigor técnico marcante no trabalho que Antunes Filho desenvolveu desde o início da década de 1980 no Centro de Pesquisa Teatral do Sesc.
Päetow, que trabalhou vários anos com o diretor, demonstra usos altamente técnicos e sofisticados da voz e do corpo. Por outro lado, ele faz com que o espaço do teatro Oficina evoque também o espírito do grupo dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa, um teatro que seja uma experiência coletiva, transe, festa, ritual.
“Teatrão” anuncia uma aparente simbiose da técnica, que o ator chama de apolínea, e da pulsão dionisíaca que emana do Oficina. Entretanto, nenhum dos dois caminhos parece ser um modelo artístico que satisfaça o ator.
Em cena, Päetow luta sozinho e obsessivamente em busca de algo que não sabe como alcançar. Mas ele se entrega de forma tão furiosa a essa experiência que parece estar mesmo no limite entre o controle do que faz e a insanidade.
Há algo de assustador nessa fronteira. É difícil refletir sobre o que acontece ali. Na maior parte do tempo, se sente um forte desconforto diante da estranheza que toma conta da cena. Tudo fica envolto por um tipo de inacabamento e confusão indecifráveis -na estreia desse processo, por exemplo, saí do teatro sem ao menos saber do que se trata a peça de Antunes Filho. Entretanto, ao mesmo tempo, se cria um eletrizante magnetismo na forma intensa e verdadeira como ele se entrega ao experimento artístico.
Päetow não tem medo do constrangimento, do vazio, do silêncio, da confusão, das incompletudes do que experimenta, ou mesmo do caos. Ao contrário, quando vislumbra algo do tipo, em vez de desviar dali, caminha justamente naquela direção, mergulha de cabeça nessa zona cinzenta. Com certeza é algo que impacta os modos atuais de consumir cultura. Difícil dizer se positiva ou negativamente. Seja como for, é uma experiência que causa espanto.

{TEATRÃO} $ODOMA\G/OMORRA:ANTUNESFILHO

Quando Sáb. às 23h e dom. (12/12) às 16h. Até 1/1
Onde Teatro Oficina – R. Jaceguai, 520, Bexiga
Preço Até R$ 60
Classificação 16
Elenco Luiz Päetow
Direção Luiz Päetow
Link: https://bileto.sympla.com.br/event/70173/d/116063/s/681327
Avaliação: Muito bom

Fonte: FolhaPress/Paulo Bio

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