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WIN, a tacada do BTG no futebol

A holding que controla o BTG Pactual e o empresário Claudio Pracownik estão se unindo para criar uma empresa de negócios e gestão financeira com foco no futebol e e-sports.

Claudio já conhece o gramado. Ex-sócio do BTG e da Genial Investimentos, ele foi CFO do Flamengo e fez parte da equipe que conduziu o turnaround épico do clube (mais difícil que a Libertadores).

O executivo será o CEO da nova empresa, batizada de Win the Game (WIN). A holding do BTG terá 50% da WIN, e Claudio, outros 50%.

“Nosso negócio é monetizar a paixão que o futebol desperta. É transformar torcedores e fãs em consumidores e tornar essa paixão rentável para os clubes,” o flamenguista roxo disse ao Brazil Journal, prometendo ser agnóstico ao lidar com outros times.

Enquanto os sócios do BTG terão equity na empresa, os negócios gerados por ela beneficiarão prioritariamente o BTG, que desenvolverá as soluções e os produtos financeiros para os clientes da WIN.

A WIN terá quatro pilares de atuação. O primeiro é originar oportunidades no ecossistema do esporte que se convertam em negócios para o wealth management e o investment banking do BTG, que vai comissioná-la por isso.

Estes serviços incluem desde a gestão patrimonial de atletas e jogadores até o planejamento sucessório, passando pelo valuation de ativos, operações de câmbio, e até a venda de energia para centros de treinamento, estádios e casas de espetáculo.

O BTG já vinha fazendo operações no mundo do esporte, boa parte deles em parceria com Claudio.

Foi ele que originou o acordo operacional do banco com a Top Soccer, uma empresa que cuida do planejamento patrimonial, tributário e sucessório de jogadores de futebol e atletas. O banco de André Esteves também assessorou a venda do Orlando City, o time de futebol da Flórida que pertencia ao empresário Flávio Augusto.

Empréstimos de bancos a clubes de futebol são tão raros quanto um gol de placa.

O endividamento bancário dos clubes brasileiros não chega a 10% do total porque o histórico de má gestão e governança dos times criou um preconceito. E os grandes bancos nacionais são os que menos emprestam.

“Às vezes os bancos financiam empresas que estão em situação muito pior, mas não emprestam para os clubes. Precisamos aproximar esses dois mundos,” diz Iuri Rapoport, o sócio do BTG e chairman da WIN. “Os clubes estão mudando para melhor, com governança e responsabilidade fiscal. Precisamos reeducar os bancos e o mercado para eles identificarem as oportunidades.”

A WIN também fará investimentos proprietários em empresas do setor, incluindo sport techs, comprará ativos distressed e vai estruturar operações imobiliárias envolvendo instalações esportivas ou direitos de transmissão.

Em sua vertical de consultoria e gestão, a WIN já tem pelo menos três negócios na mesa.

A companhia está negociando com o Gama para fazer a reestruturação financeira e criar a governança do time de Brasília; está assessorando a empresa dos lutadores Minotauro e Minotouro para a criação de uma liga brasileira de MMA; e discutindo mandatos para reestruturar a dívida de grandes clubes nacionais.

A quarta área — novos negócios, tecnologia e inovação — tem a missão de atacar o que está na frente do nariz, mas ninguém faz: criar novas linhas de receita explorando ativos não trabalhados pelos times.

“Podemos criar fan tokens, NFTs para monetizar imagens geradas em incursões, treinamentos… Queremos tangibilizar esses direitos de imagem que não são explorados hoje,” diz Iuri. “É uma dinâmica parecida com a do sócio torcedor, mas no mundo digital.”

A WIN está entrando em campo num momento em que o futebol (historicamente conhecido pelas mutretas dos cartolas e os times com cofres assaltados) está tentando virar o jogo.

“O futebol mudou, seja pela necessidade de sobreviver ou pela compreensão da realidade,” diz Claudio. “A realidade é que o esporte é parte de uma indústria de entretenimento, e essa indústria é global. O grande adversário hoje é a Netflix. Estamos todos competindo pela atenção do cliente.”

Fonte: Brazil Journal

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