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‘Não Inviabilize’ é ideal para quem é fofoqueiro e vive na era Bolsonaro

MARINA LOURENÇO –

Conversas de bar raramente dispensam boas fofocas, risadas e conselhos vindos de quem não os seguiria. E são cheias de histórias -acompanhadas, é claro, por muitos copos de cerveja e isqueiros que desaparecem misteriosamente.
Papo vai e papo vem num piscar de olhos. “Vocês não vão acreditar”, anuncia alguém para, em seguida, começar a contar um causo. Essa sensação descontraída -e tão amada- das fofocas é semelhante com a de qualquer episódio de Picolé de Limão, um dos quadros do podcast Não Inviabilize, apresentado por Déia Freitas.
Aquele desejo de dar pitaco na vida alheia surge de imediato ao dar play. O quadro, que é o carro-chefe do podcast, oferece o tipo de entretenimento ideal para quem mora no Brasil pandêmico da era Bolsonaro e implora por alguns minutos de serotonina em meio à rotina distópica que se intensifica a cada dia.
Criado em fevereiro de 2020, “Não Inviabilize” é um podcast brasileiro sobre histórias do cotidiano. Tem um pouco de tudo -muitos corações quebrados, outros felizes, ciladas inacreditáveis, brigas intermináveis, micos hilários, traumas assustadores e até a fofura de cães e gatos.
A maioria das histórias narradas por Freitas são enviadas por email pelos próprios ouvintes. Para manter o anonimato, ela altera informações como nome, profissão, cidade e outros detalhes que não tiram o sabor das histórias.
Os episódios são diários, independentes entre si e variam muito de duração. Para quem odeia podcast longo, ou está com pressa, por exemplo, há aqueles de oito minutos. Mas quem estiver afim de crônicas de grandes reviravoltas consegue achar sem dificuldades.
É como uma grande mesa de bar invisível e menos barulhenta. Todos ali estão dispostos a ouvir bizarrices do dia a dia, mas nem todo mundo deseja se expor.
Uma filha percebendo que o pai está transando com sua tia na cama inferior do beliche onde está deitada; uma mulher descobrindo que o namorado está casado com outra pessoa só para revender queijo; um homem que engravida sua cunhada; uma filha que vê a mãe e o próprio marido aos amassos; e um homem que leva um fora do parceiro após cagar nas calças ao pular de paraquedas pela primeira vez.
Esses são só alguns das centenas de acontecimentos bizarros que já apareceram no programa.
O podcast é dividido em oito quadros, Picolé de Limão, Amor nas Redes, Luz Acesa, Mico Meu, Patada, Ficção da Realidade, Alarme e Minhas Coisinhas.
Que Picolé de Limão, a seção de ciladas, é o maior e melhor é algo bem evidente. Mas o motivo pelo qual a apresentadora ignora alguns dos quadros é um completo mistério. Por alguma razão, ela divulga uma suposta pluralidade de conteúdo, mas não investe muito nisso.
Embora Ficção da Realidade, por exemplo, esteja há meses na lista de quadros existentes, seu primeiro episódio só foi lançado recentemente. Mico Meu e Patada raramente aparecem. E Alarme nunca foi publicado, nem mesmo aos assinantes -o podcast tem um plano pago que permite tanto o acesso antecipado aos programas quanto o envio de pitacos que podem aparecer na versão final dos episódios, disponibilizada posteriormente em todas as plataformas digitais.
Esse grande desequilíbrio entre os quadros indica um amadorismo, mas está bem longe de comprometer a qualidade do programa.
A apresentadora sabe bem como narrar histórias e não dispensa gargalhadas, choros ou comentários ácidos para expor opiniões -até mesmo quando critica o dono da fofoca- sem perder o carisma e o bom senso.
Alguns de seus palpites já viraram bordões entre os fãs e até estampam canecas e imãs, como “não seja ONG de macho” e “ninguém tem dó de corno”. Não Inviabilize oferece um repertório divertido das bizarrices da vida e deve agradar bastante a qualquer fofoqueiro de plantão.

Fonte: FolhaPress

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