Início Cultura Michelle Pffeiffer não perde a pose de ricaça em 'Saída à Francesa'

Michelle Pffeiffer não perde a pose de ricaça em ‘Saída à Francesa’

INÁCIO ARAUJO –

Logo de início, “Saída à Francesa” surpreende. Eis ali uma situação pouco frequente. Frances, viúva, ex-milionária, um tanto excêntrica e outro tanto narcisista, se vê na contingência de vender todos os seus bens para evitar a falência.
Graças à ajuda de uma amiga, que empresta a ela o apartamento em Paris, Frances e seu filho Malcolm viajam, acompanhados por um gato (a menção não é fortuita, ele terá participação importante na segunda parte do filme). Viajam de navio, o que, nos dias de hoje, apenas serve para demonstrar o quanto Frances é mesmo exótica.
Sua ideia é viver em Paris enquanto durarem os euros que arrecadou. E ela entra com o pé direito. Contra a indiferença de um garçom parisiense, por exemplo, ela começa a botar fogo no restaurante. Tudo nela afirma uma personalidade muito forte, igual ao desprezo pelas convenções.
Vale o mesmo para os euros que trouxe na bagagem. Ela é capaz dar gorjetas enormes, distribuir pilhas de notas de cem aos mendigos e tal. Enquanto isso, Malcolm, que deixou em Nova York a moça de quem ia se tornar noivo, vai se adaptando à vida na França. Ele também tem uma personalidade interessante, mas incompleta. Exemplo -Frances, sabemos que nunca trabalhou na vida, mas o que pretende Malcolm? Vai estudar, vai andar de bicicleta o tempo todo?
Em poucas palavras, o filme começa muito promissor em relação à produção contemporânea, com Michelle Pfeiffer justificando inteiramente o estrelato em uma narrativa ágil e ao mesmo tempo suave, com diálogos cortantes e inteligentes, construindo personagens com potencial e em boas situações.
Tudo isso para, assim que Frances põe os pés na Europa, tudo desmoronar cruelmente. O desaparecimento do gato, sessões espíritas despropositadas. É como se o roteiro de Patrick deWitt (baseado em romance do próprio) encolhesse à medida que o tempo passa, em vez de crescer, enquanto uma superpopulação toma o apartamento onde Frances está morando, com a única função, parece, de alongar um pouco o filme.
Mesmo a direção perde fôlego e ritmo. O humor que sabia administrar no início vai desaparecendo à medida que apela até para o além. Ou seja, amolece quando seria desejável que mostrasse mais vigor.
Resta que, no melhor e no pior, Pfeiffer não perde a classe. Leva sua Frances com dignidade até o fim desta semicomédia, deste semidrama (não propriamente uma comédia dramática, mas algo que fica no meio do caminho dos dois gêneros).

Fonte: FolhaPress

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