TETÉ RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pérola, Chachá, Dani, Mel, Rosa e Xakila se emocionam quando visitam os escombros da Cadeia Pública Feminina de Santos desativada desde 2014 por causa da superlotação e das más condições estruturais, onde cumpriram suas penas ou esperaram presas pelo julgamento que nunca acontecia. As imagens, captadas entre 2017 e 2019, são contrapostas com outras, de 2005, que as mostram bem mais jovens e ainda encarceradas.
Elas foram algumas das personagens que contaram suas histórias para a ex-diretora de abrigos para crianças Flavia Ribeiro de Castro, no livro “Flores do Cárcere”, de 2011. “A maioria das crianças com quem eu trabalhava era filha de mulheres presas, e isso me despertou a curiosidade de entender melhor esse universo”, conta ela.
Em 2004, Ribeiro de Castro se mudou para Santos, no litoral paulista, e leu num jornal local sobre um projeto de voluntariado dentro da cadeia pública feminina da cidade. Resolveu que queria fazer parte desse projeto, e, em outubro daquele ano, começou um trabalho com o objetivo de melhorar a autoestima e a convivência das detentas.
O trabalho durou pouco mais de um ano, e, em 2011, foi transformado em livro, lançado pela editora Talento. Nele, a autora conta, além de detalhes do projeto voluntário, as histórias de vida das mulheres que habitavam aquele ambiente hostil.
A dupla de cineastas Barbara Cunha e Paulo Caldas, este último coautor do longa “Baile Perfumado”, de 1996, sócios de uma produtora audiovisual em Pernambuco especializada em direitos humanos, percebeu no livro de Ribeiro de Castro “que o encarceramento dos corpos femininos era uma pauta importante e urgente”, segundo Caldas.
Junto da autora e de seu marido, Patrick Goffaux, um dos produtores do filme, os cineastas decidiram ir além do que estava no livro e contar o que teria acontecido com as mulheres depois que saíram da cadeia de Santos. Com a ajuda da pesquisadora Claudia Belfort, foram em busca das suas personagens.
“Conversamos com várias mulheres e selecionamos as que queriam colocar seu rosto no filme”, diz Cunha, a diretora. “Não foi fácil convencê-las de que não queríamos usar suas histórias, mas sim levantar um debate sobre encarceramento de mulheres no Brasil”, acrescenta.
Dessa forma, Pérola, Chachá, Dani, Mel, Rosa e Xakila viraram as protagonistas de “Flores do Cárcere”, que acaba de estrear exclusivamente no Now e chega nesta quinta às plataformas Vivo, iTunes, Google Play, YouTube Filmes e Looke.
As histórias de como elas acabaram presas são muito parecidas. A maioria entrou no crime, algumas sem saber, outras com total conhecimento e até vontade, por causa de namorado, marido ou irmão.
Nos depoimentos captados enquanto ainda estavam encarceradas, repetem o que muitos conhecedores do sistema prisional brasileiro falam o tempo todo -as cadeias brasileiras, do jeito que são hoje em dia, não servem para reeducar ninguém.
Fora das celas, no entanto, as protagonistas de “Flores do Cárcere” tem outro discurso, e essa é uma das boas surpresas desse documentário. Com a reconstrução das vidas em andamento, a certeza de que a liberdade é tão indispensável quanto efêmera faz com que elas procurem tomar o controle de suas narrativas.
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