Política
Quarta-feira, 19 de junho de 2024

Doria sai como grande vitorioso da eleição, diz presidente estadual do PSDB

CAROLINA LINHARES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apesar de ter sido escondido na campanha do prefeito Bruno Covas (PSDB) e de apresentar desempenho pior como cabo eleitoral do que Lula (PT), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi um grande vitorioso na eleição municipal e consolida seu projeto presidenciável de 2022.
Essa é a opinião do presidente do PSDB estadual, Marco Vinholi, 36, que também é secretário de Desenvolvimento Regional na gestão Doria. Nas duas funções, ele lida com prefeitos.
Em 2016, após dois turnos, o PSDB elegeu 173 prefeitos no estado e 804 no país. Agora, são 176 (pode chegar a 183) em São Paulo e 519 (pode chegar a 533) no Brasil. Vinholi vê derrota do bolsonarismo e avanço do que chama de centro democrático -rejeita o termo direita.
Pelo Brasil, partidos parceiros do PSDB, como DEM e PSD, ganharam prefeitos. Se associando a eles, Vinholi minimiza o encolhimento nacional e diz que os tucanos apostaram em alianças.
Já em São Paulo, ele destaca vitórias no ABC, na Baixada Santista e no Vale do Paraíba. Diz ainda que, na capital, o projeto de Guilherme Boulos (PSOL) é o mesmo do PT.
Vinholi defende a união de nomes como Luciano Huck, Sergio Moro, Rodrigo Maia (DEM) e Doria em 2022. Ao lado de outros colegas secretários, prepara um livro com bastidores sobre como a gestão tucana lidou com a Covid-19.
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Pergunta – Em São Paulo, o PSDB ganhou prefeitos, mas perdeu no país…
Marco Vinholi – No estado, é uma excepcional vitória, uma vitória do grupo do João Doria. Significa uma renovação que foi feita no partido. Temos quadros novos como em São Vicente, que é uma jornalista [Solange Freitas] que está no segundo turno. Nós nunca ganhamos a prefeitura de São Vicente.
A nível nacional nós devemos fechar com cinco capitais. É um ótimo resultado se a gente pensar também no centro democrático. O MDB também elegeu um bom número, o DEM um bom número. Todos esses partidos se ajudaram na medida do possível.

Qual foi a estratégia do PSDB em São Paulo?
MV – São muitos candidatos novos que vieram para o partido. Tivemos cerca de 400 candidatos no estado [são 645 cidades]. Na minha cidade [Catanduva], o prefeito eleito é um padre, que nunca tinha sido da política. Ganhamos do PT lá. O Eduardo Bolsonaro foi lá, declarou apoio para um candidato, que ficou em quarto.
Fora essa articulação, trazendo gente nova, eu classificaria a baixa influência ou até a influência ruim do Bolsonaro nas eleições. Foi assim em todos os lugares. Eu posso dizer que a gente ocupou um campo político muito forte. Entendo que o bolsonarismo saiu perdendo. E esse centro político saiu como grande vencedor.

Que campo político vocês ocuparam?
MV – O campo do centro. O PT elegeu duas prefeituras [pode chegar a cinco]. Houve um encolhimento da esquerda na política estadual. E quem foi o anti-PT fomos nós. Os extremos ideológicos nessa eleição acabaram ficando menores.

Existe a crítica de que o PSDB usa a máquina do governo para crescer em São Paulo.
MV – É uma crítica infundada. Pergunte aos prefeitos do PT qual é o tratamento que eles têm sempre aqui.

No início da camapnha, o sr. dizia que o segundo turno na capital seria entre PSDB e PT ou PSOL. Por que descartou Márcio França [PSB] e Celso Russomanno [Republicanos]?
MV – Desde 1985, aqui foi entre o PSDB e o PT. Fatalmente esse eleitor petista estaria em algum campo e acabou indo com Boulos pelo PT não ter conseguido fazer essa renovação, mas a gente entende que é o mesmo projeto. Bruno esteve sempre numa crescente. Não saiu um milímetro de passar proposta, de demonstrar o que foi feito, demonstrar sua história pessoal. O Boulos ocupou o campo do PT, é nítido isso.

O PT usa o fato de serem do mesmo campo para minimizar sua derrota. O sr. vê a vitória do Boulos como vitória do PT?MV – O projeto é uma continuidade do que foi implementado pelo [ex-prefeito petista Fernando] Haddad. São siameses. Só não sei se essa conotação do PT é tão válida assim, mas, do ponto de vista político, não vejo diferença.

O PT não é mais o partido hegemônico da esquerda, dá pra dizer isso?
MV – Ainda vai demorar alguns anos pra gente descobrir.

Vamos descobrir em 2022?
MV – [Risos] Acho que sim.

​O Plano São Paulo, que orienta as questões da pandemia, seria atualizado no dia 16, mas isso foi adiado para após a eleição. Estão segurando a segunda onda?
MV – Se optou por postergar o avanço de regiões que poderiam vir para a fase verde para justamente poder observar os números. Antes, depois, quando for necessário, se for necessário, o Plano São Paulo aumenta restrições ou diminui. Por enquanto, não tem esse aumento de restrições justamente pelos números não indicarem.

A respeito da articulação entre Doria, Moro, Huck e Maia, eles estarão unidos em 2022?
MV – É cedo para falar, mas você tem um centro democrático que dialoga. Esse campo deve fazer um esforço, sim, para estar junto. O campo político contra o radicalismo, contra os extremos, está se tornando cada vez mais visível no país.

Doria abriria mão da cabeça de chapa em prol dessa frente?
MV – É cedo para falar, é algo que vai sendo discutido. Mas, sem sombra de dúvidas, o governador João Doria, governador de São Paulo, com essa estatura, é sempre um nome lembrado.

Ele é mais presidenciável do que outros?
MV – Não vou entrar nisso. Só acho ele excepcional.

Doria foi escondido na campanha de Covas e enfrenta forte rejeição na capital, não é uma derrota para ele?
MV – Não. Ele teve um número altíssimo de prefeitos eleitos aqui no estado do campo político dele. No Brasil também. Eu enxergo que ele sai como um grande vitorioso.

E o fato de não ter aparecido na campanha de Covas por causa da alta rejeição?
MV – Não enxergo dessa forma. Uma vez por semana, Bruno está aqui em coletiva com ele, uma construção de gestão. Foi demonstrada a importância da parceria entre estado e município. A compreensão é de que a campanha é focada nos problemas e nos desafios da cidade.

Por que o sr. se refere ao seu campo como centro e não direita?
MV – A questão fundamental é contra radicalismos, contra extremos, de um lado ou de outro. Um governo equilibrado, que enxerga parcerias com a iniciativa privada como muito positivas. Mas que trabalha também o social de forma muito intensa, que implementa um diálogo com a sociedade civil, que respeita as liberdades individuais.

O fato de ter se alinhado a Bolsonaro em 2018 não coloca esse campo na direita?
MV – O PSDB foi coerente com o que acreditava e, dentro de duas opções, você escolhe aquele que você não quer.

Ser de centro pressupõe poder se alinhar com a esquerda ou com a direita. O pêndulo de vocês pode ir para a esquerda?
MV – Não, ele é bem central. Ele segue pra frente [risos].