Economia
Quarta-feira, 24 de julho de 2024

Ricardo Eletro protocola a maior recuperação judicial do varejo, diz jornal

A Rede de Lojas Ricardo Eletro, do grupo Máquina de Vendas, protocolou na noite de terça-feira um plano de recuperação judicial na 1ª Vara de Falência e Recuperações Judiciais de São Paulo. De acordo com o Valor Econômico, trata-se do maio pedido de recuperação já visto na história do varejo.

A publicação aponta que são pouco menos de 20 mil credores, formando uma dívida no valor de R$ 4 bilhões. Documentos obtidos pelo Valor mostram que a companhia formará unidades produtivas isoladas com móveis do grupo para venda e pagamento dos credores.

Dois centros de distribuição próprios podem ser alvos de propostas de eventuais interessados em leilão, e a empresa estaria avaliando a venda de marcas do grupo. O Valor afirma que além de imóveis e marcas, a empresa considera créditos fiscais como ativos para vendas.

Entre as marcas que passam por avaliação estariam Insinuante, Salfer, Eletroshopping, City Lar, além da própria Ricardo Eletro, principal marca da companhia. Como informado ao pedir recuperação judicial, em agosto, a empresa não deve mais atuar no varejo físico – o Valor apurou que a companhia estuda lançar outra marca para operações online.

No documento obtido pelo Valor, a empresa cita o assunto ao dizer que “as recuperandas estão alterando a denominação social da recuperanda RN Comércio Varejista S.A., a fim de ficar alinhada com os novos propósitos e a nova marca que será lançada oportunamente”.

Plano apresentado

Segundo o Valor Econômico, no plano apresentado a varejista propõe que os credores com garantia real recebam um valor excedente no caixa da empresa, ou seja, o valor que superar o caixa mínimo, de R$ 100 milhões, será distribuído entre os credores. Será aplicado ainda deságio de 85% sobre o valor nominal dos créditos.

O pagamento começaria apenas depois de a varejista quitar os seus “credores estratégicos”, que são aqueles considerados parceiros da empresa.

No caso dos credores sem garantia real, estes serão pagos apenas quando os credores estratégicos tiverem suas dívidas quitadas. O plano prevê que aqueles com crédito de até R$ 3,5 mil receberão R$ 1,5 mil no prazo de até dois anos contados a partir da homologação. Somas acima de R$ 3,5 mil receberão o pagamento por meio do excedente do caixa mínimo.

Por fim, os credores com mais de R$ 3,5 mil que querem receber sem o caixa excedente poderão optar pelo recebimento de R$ 1,5 mil em até 24 meses, tendo de abrir mão dos valores restantes.

Os credores trabalhistas têm 60 dias contados da homologação do plano para optar pelo recebimento de seus créditos. Segundo o Valor, a empresa informou à Justiça que tem R$ 30 milhões para pagamento de parte dessa dívida, o que corresponde a cerca de um terço do total de débitos a trabalhadores.

Os funcionários receberão até R$ 4 mil e quem possuir créditos acima desse valor sofrerá deságio de 50% a 85%. Esses trabalhadores serão pagos em até 12 meses após a homologação do plano.

O Valor aponta que a companhia deve intensificar as negociações com credores para realizar ajustes na proposta antes de levá-la para assembleia. A partir da homologação da recuperação, a companhia tem 60 dias para apresentar o plano e 150 dias para fazer a assembleia com credores.

Fonte: BizNews