Economia
Sexta-feira, 24 de maio de 2024

Venda de imóveis tem melhor resultado em 6 anos

FERNANDA BRIGATTI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A melhora nas negociações de imóveis de médio e alto padrão garantiu ao setor da incorporação o melhor mês em vendas desde maio de 2014.
Balanço da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) mostra que o total de unidades vendidas nesse segmento, em julho, foi 34,8% maior do que no mesmo mês em 2019. Quando se considera somente o resultado líquido, sem os distratos, o aumento foi de 43,2%.
“As pessoas que estão no médio e alto padrão começaram a realmente sair para buscar imóveis, procurar oportunidades”, diz Luiz Antonio França, presidente da Abrainc.
O setor já vinha registrando números positivos desde maio, mas a melhora era puxada principalmente pelo segmento econômico, considerado mais resiliente às crises.
Agora, porém, a reação pode ter chegado aos imóveis mais caros e lançamentos.
Somados todos os segmentos, 13.023 imóveis foram vendidos em julho, resultado que superou em 58% o total comercializado no mesmo mês do ano passado. As vendas líquidas ficaram em 10.103 unidades, uma alta de 56,2%.
O recorde anterior, segundo a Abrainc, era de 14.116 imóveis em maio de 2014.
Outros fatores, como a demanda parada nos primeiros meses de pandemia e os juros baixos têm colaborado para a melhora nos resultados.
“Há ainda a expectativa que cada um criou, depois de tanto tempo na própria casa, em buscar uma moradia diferente.”
O custo menor de financiamento facilita o acesso ao crédito, ampliando o número de pessoas que conseguem o dinheiro para a compra da casa. Ao mesmo tempo, reduz os ganhos dos investimentos tradicionais, obrigando poupadores a diversificar a carteira.
O bom resultado de vendas animou os incorporadores, que voltaram a fazer lançamentos. Em julho, as 4.561 unidades lançadas foram 38,2% superiores às do mesmo período do ano passado.
Coordenadora de Projetos da Construção do Ibre/FGV, Ana Maria Castelo diz que o desempenho do setor foi surpreendente, já que efeitos econômicos da pandemia persistem. “A questão é saber qual é a sustentação disso se não tiver uma economia com vigor.”