Economia
Quarta-feira, 24 de julho de 2024

No setor automotivo, essa empresa pode ser o destaque da retomada

A Iochpe-Maxion, fabricante brasileira de peças automotivas, pode ser a grande estrela na retomada do setor de carros e veículos comerciais. Com uma recuperação mais rápida do que o esperado inicialmente nas vendas de carros em todo o mundo, a fabricante brasileira pode ser beneficiada, já que tem clientes em todo o mundo.

O mercado esperava uma queda de 20% a 25% na produção global de carros para este ano, mas a previsão foi atualizada para uma queda de 18%. Houve uma melhora nos mercados da China, da Europa e, surpreendentemente, do Brasil.

“A Iochpe vai se beneficiar dessa tendência positiva no terceiro trimestre do ano, o que, combinado com medidas de corte de custo e um real desvalorizado, deve resultar em um ebitda de 495 milhões de reais, 40% acima da nossa expectativa anterior”, escreve o banco Bradesco BBI em relatório. 

O banco mudou a classificação da empresa de neutro para compra em relatório recente sobre a empresa. A ação da fabricante está em R$ 13,57 e o preço-alvo para o Bradesco BBI é de R$ 18. O valor ainda é baixo em relação ao pico do ano visto em janeiro, de R$ 24, mas já representa uma valorização de quase 33% em relação ao valor atual. 

“Os resultados podem ser impulsionados por uma recuperação mais rápida do que o imaginado na produção global de veículos pela redução de custos”, escreve o analista Victor Muzusaki, que assina o relatório. 

Lição de casa na crise

Para o banco, há uma desconexão entre o atual preço das ações da Iochpe e a recuperação da produção de veículos. Nos Estados Unidos e Europa, as vendas de carros cresceram 82% e 202% desde atingirem o fundo do poço em abril. Na China, o crescimento é de 10 vezes de fevereiro a agosto. 

De abril a junho, a Iochpe sofreu com a redução da produção automotiva em todos os seus mercados. No segundo trimestre do ano, a queda foi de 82,3% no Brasil, 71,2% na América do Norte e 66,6% na Europa. O mês de abril foi o mais impactado, com recuperação gradual em maio e junho. 

Como consequência, a receita da empresa despencou mais de metade para 1,17 bilhão de reais, com queda de 56,%. Para o terceiro trimestre, a empresa ainda espera uma queda na produção automotiva de 25,6% no Brasil, de 2,4% na América do Norte e de 7,6% na Europa. 

Para se proteger, a empresa fortaleceu o caixa e hoje tem 1,4 bilhão de reais, três vezes o valor de um ano atrás. No primeiro semestre, reduziu os postos de trabalho em 8%, as despesas em 19% e os investimentos em 41,6%. 

“Não é apenas sobre o faturamento! A Iochpe está fazendo sua lição de casa e cortando custos”, diz o relatório. Com essa redução de custos, a margem Ebitda, uma das medidas de rentabilidade avaliadas pelo mercado, deve ser de 8% no terceiro trimestre do ano, contra menos 17% no segundo período. 

História centenária

A companhia nasceu em 1918, inicialmente no setor madeireiro, no Rio Grande do Sul. A partir de 1990, a empresa passou a se concentrar nos segmentos de autopeças e equipamentos ferroviários.

Hoje, a brasileira A Iochpe-Maxion é uma companhia global, líder mundial na produção de rodas automotivas e um dos principais produtores de componentes estruturais automotivos nas Américas. Ela conta com 31 unidades fabris, localizadas em 14 países e com cerca de 15.000 funcionários. 

Sua divisão Maxion Wheels fabrica rodas de aço e alumínio para veículos leves e rodas de aço para veículos comerciais. Entre seus clientes, estão montadoras globais. a empresa opera com 23 plantas industriais em 12 países. As plantas no Brasil fabricam rodas de aço e alumínio, para veículos comerciais e leves. Já sua divisão Maxion Structural Components fabrica outras peças para veículos comerciais e leves em seis plantas na América do Sul e do Norte.

A empresa ainda detém 37,75% de uma joint venture chamada Amsted-Maxion, que opera na produção de vagões, rodas e fundidos ferroviário. Os principais clientes da divisão Amsted-Maxion são as operadoras ferroviárias no Brasil e ela opera com duas plantas industriais no Brasil.

Fonte: Exame