Destaques
Segunda-feira, 22 de abril de 2024

Reabertura de comércio de rua em SP tem de lojistas preocupados a consumidores nostálgicos nas vitrines

THAIZA PAULUZE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O primeiro dia de reabertura do comércio de rua na capital paulista, nesta quarta-feira (10), tem lojas adaptadas com filas, marcações, álcool e obrigatoriedade da máscara, e consumidores nostálgicos, que aproveitam “para dar uma xeretada” nas vitrines e prateleiras.
O aposentado Humberto de Oliveira, 74, saiu cedo de onde mora, na Cidade Ademar, no extremo da zona sul da capital, e demorou 40 minutos no metrô e no ônibus para chegar à Saúde, outro bairro da zona sul.
Ele veio comprar remédios em uma farmácia, mas acabou indo também a uma papelaria em busca de papel de embrulho, que vai usar para embalar caixinhas. Na loja, a regra é esperar do lado de fora para a entrada de apenas dois clientes por vez.
“Agora parece que está melhorando. Vai normalizar”, afirma Humberto. “Mas vou voltar correndo. E eu estou me protegendo. Só vou em farmácia, açougue, mercado e de máscara. É muita teimosia. Se todo mundo usasse, não teria essa mortalidade.”
A loja de sapatos e roupas Besni, na avenida Jabaquara, reabriu após três meses seguindo o protocolo à risca: fechou a entrada para diminuir o número de clientes, marcou o distanciamento nos caixas, mediu a temperatura de quem entra e ofereceu álcool em gel, luvas e até meias descartáveis para os sapatos.
A limpeza foi reforçada e ainda não é possível provar roupas, explica o gerente Rafael Gomes, 27. Nos primeiros minutos de portas levantadas, três clientes entraram na loja.
Olhando a vitrine, estava outra senhora que não quis conversa. Disse apenas que saiu para pagar um boleto e aproveitou para “dar uma xeretada” nos sapatos. “Tô com pressa e morrendo de medo”, afirmou.
REABERTURA GRADUAL
O comércio de rua e as imobiliárias foram autorizados a reabrir na capital paulista a partir desta quarta. Shoppings devem ser autorizados a abrir a partir de quinta (11).
O comércio pode funcionar de 11h às 15h. Já as imobiliárias podem funcionar por quatro horas, desde que o horário de abertura e fechamento não coincida com o horário de pico. O objetivo das medidas é não sobrecarregar o transporte público.
A capital paulista se encontra na fase laranja de reabertura, que permite o funcionamento desse tipo de comércio. Na capital, porém, a reabertura depende de autorização por parte da prefeitura, após análise de protocolos setoriais.
Para conseguir reabrir, segundo a prefeitura os locais comprometeram-se com “medidas de distanciamento social, higiene, sanitização de ambientes, orientação dos clientes e dos colaboradores, compromisso para testagem de colaboradores e medição de temperatura dos clientes, horários alternativos de funcionamento, redução do expediente, sistema de agendamento para atendimento, protocolo de fiscalização e monitoramento do próprio setor (autotutela).
O prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que a prefeitura continuará usando os 2.000 fiscais das subprefeituras para verificar o cumprimento dos protocolos, mas que conta com as entidades setoriais para fiscalizar seus associados.
A expectativa na gestão Covas é de que a cidade possa avançar na classificação do governo João Doria (PSDB), passando para a fase amarela, que permite outras atividades, como bares e salões de beleza.