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Sexta-feira, 12 de abril de 2024

Veja ministros da Saúde demitidos pelo mundo durante a pandemia

LUCAS ALONSO
BAURU, SP (FOLHAPRESS) – Desde o início da pandemia de coronavírus, autoridades de saúde de todo o mundo ficaram em evidência.
O período, contudo, serviu para expor divergências com líderes de diversos países que resultaram em exonerações e pedidos de demissão.
O caso mais recente é do Brasil. O agora ex-ministro da Saúde Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira (15), a dois dias de completar um mês no cargo.
Teich foi pressionado por Jair Bolsonaro para ampliar o uso da cloroquina no tratamento de pacientes com quadros leves da Covid-19, apesar da falta de evidências científicas sobre a eficácia do medicamento.
Ele também foi informado pela imprensa da decisão do presidente de aumentar a lista de atividades essenciais.
Antes de Teich, Luiz Henrique Mandetta foi demitido por Bolsonaro em 16 de abril, após um longo embate entre eles diante das ações de combate ao coronavírus.
Em um dos conflitos, por exemplo, o presidente disse que estava “faltando humildade” a Mandetta e ameaçou usar a caneta contra ministros que “viraram estrelas”.
Pelo mundo, situações semelhantes ocorreram em pelo menos oito países. Os motivos variam entre violações da quarentena, divergências políticas, exaustão física e questões pessoais.

DAVID CLARK – NOVA ZELÂNDIA
Clark pediu demissão depois de ter sido flagrado em viagem com a família para ir à praia enquanto a Nova Zelândia vivia seu nível mais restrito de isolamento.
“No momento em que pedimos aos neozelandeses que façam sacrifícios históricos, decepcionei a equipe. Eu fui um idiota e entendo por que as pessoas ficam com raiva de mim”, afirmou em um comunicado.
A primeira-ministra Jacinda Ardern, frequentemente elogiada por sua postura de enfrentamento à pandemia, disse que, em circunstâncias normais, aceitaria o pedido de demissão, mas, para evitar perturbações, rebaixou Clark a um cargo menor no governo.
A Nova Zelândia registrou, até esta sexta (15), 1.498 casos e 21 mortes por Covid-19.

CATHERINE CALDERWOOD – ESCÓCIA
A chefe da Saúde da Escócia pediu demissão em 5 de abril, depois de sofrer uma série de críticas por furar a quarentena para viajar com a família duas vezes.
Ela se desculpou e foi mantida pela primeira-ministra, Nicola Sturgeon. Mas as críticas e um aviso formal da polícia escocesa de que as orientações de isolamento se aplicavam a todos tornaram a permanência de Calderwood no cargo insustentável.
A Escócia registrou mais de 14 mil casos e 2.053 mortes até esta sexta (15).

BRUNO BRUINS – HOLANDA
Bruins pediu demissão do cargo em 19 de março, depois de sofrer um colapso por exaustão na noite anterior.
O ex-ministro comparou a luta contra o coronavírus à demanda física de esportes de alto nível e disse que seu corpo não estava preparado para a tarefa.
A Holanda confirmou, até esta sexta (15), mais de 43 mil casos e 5.662 mortes.

CATALINA ANDRAMUÑO – EQUADOR
Depois de pouco mais de nove meses como ministra da Saúde, Andramuño pediu demissão em 21 de março, acusando o governo de não levar a sério as orientações médicas e técnicas para enfrentar o coronavírus.
Ela também apontou, em sua carta de demissão, a falta de recursos e de insumos médicos para hospitais e profissionais de saúde.
O Equador é, de acordo com o índice de mortos por 1 milhão de habitantes, o país mais atingido pela pandemia na América Latina e registra mais de 30 mil casos e 2.338 mortes.

ELIZABETH HINOSTROZA – PERU
A renúncia de Hinostroza foi oficializada pelo presidente do Peru, Martín Vizcarra, em 20 de março. Médica, ela foi substituída pelo atual ministro, Víctor Zamora.
Na publicação oficial que assinalou a mudança no ministério peruano, Vizcarra agradeceu a Hinostroza pelo seu trabalho, realizado durante cerca de cinco meses, e disse que uma “avaliação rigorosa” obrigou o país a tomar a decisão de substituí-la.
Dias depois, Hinostroza foi nomeada assessora do gabinete do ministro do Interior com a tarefa de monitorar as ações da Polícia Nacional do Peru no âmbito do combate à pandemia.
Até esta sexta (15), o Peru registrou mais de 80 mil casos de coronavírus e 2.267 mortes, de acordo com a universidade americana Johns Hopkins.

Edição: Tiago Albuquerque