Política
Quinta-feira, 20 de junho de 2024

Senadores voltam a criticar aplicação do Enem durante a pandemia

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020 começaram nesta segunda-feira. Foto: Gabriel Jabur.

As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 começaram nesta segunda-feira (11). Vários senadores voltaram a criticar a aplicação das provas durante a pandemia de coronavírus. Entre os argumentos apresentados pelos parlamentares estão a falta de aulas provocada pela crise sanitária, as dificuldades para implementação do ensino a distância, o fato de que muitos alunos da rede pública não têm acesso à internet em casa e, inclusive, o aprofundamento da desigualdade no país.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, se manteve contrário ao adiamento do Enem deste ano. De acordo com o cronograma, o exame presencial será aplicado em 1 e 8 de novembro — e a versão digital em 22 e 29 do mesmo mês.

O presidente da Comissão de Educação do Senado (CE), Dário Berger (MDB-SC), declarou que o Enem é uma das avaliações mais importante da vida de um estudante, além de ser a porta de entrada para a universidade. Para ele, o momento é extremamente delicado, pois diversas escolas, especialmente as públicas, não conseguiram implementar o sistema de educação a distância.

 — Não é bom colocar a pressão do Enem nas costas dos estudantes que praticamente não tiveram aulas no primeiro semestre. O adiamento do Enem precisa ser debatido. Não defendo que haja um cancelamento, mas que seja feito uma consulta, especialmente às secretarias estaduais de educação, para ver como a pandemia atingiu as atividades escolares dos estudantes que farão o Enem, para, quem sabe, adiá-lo em 30 dias pelo menos — disse Dário.

A senadora Leila Barros (PSB-DF) destacou que o Ministério da Educação abriu as inscrições para o exame apesar dos apelos de escolas públicas e universidades pelo adiamento das provas. Para ela, insistir com a manutenção do calendário atual do Enem é apostar no crescimento da desigualdade.

“No Brasil, apenas 36% dos alunos da rede pública têm acesso à internet em casa. Nas classes D e E, seis a cada 10 alunos não têm sequer computador. O adiamento do Enem é necessário para que nenhum estudante seja prejudicado pela pandemia, principalmente os mais carentes”, argumentou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também defendeu o adiamento do Enem deste ano. Para ele, é incoerente manter o exame durante a crise causada pela covid-19.

“Manter o calendário do Enem 2020 é tão absurdo quanto manter esse ministro. Estamos enfrentando uma pandemia, uma crise. Milhares de famílias lutam pela sobrevivência. O maior aliado dos efeitos da covid-19 no país é o próprio presidente Bolsonaro”, declarou Randolfe.

Fonte: Agência Senado

Edição: Tiago Albuquerque