No Mundo
Terça-feira, 7 de julho de 2026

Sánchez reconhece resultado da eleição no Peru sem admitir derrota para Keiko

Em um comunicado ambíguo, o candidato derrotado das eleições no Peru, Roberto Sánchez, reconheceu o anúncio do JNE (Júri Nacional de Eleições) que declarou a vitória de Keiko Fujimori na corrida presidencial do início de junho, mas ainda assim mencionou as supostas irregularidades do pleito, sem apresentar provas.
“A democracia exige respeitar a institucionalidade, mas também exige defender a verdade”, diz o documento assinado por Sánchez, presidente do Juntos pelo Peru, e líderes de outros dois partidos que formam a coalizão da oposição.
“Reconhecemos que o JNE tenha proclamado oficialmente os resultados eleitorais”, afirmam, sem reconhecer expressamente a vitória de Keiko. “No entanto, isso não implica renunciar ao direito de apontar e denunciar as irregularidades que ocorreram durante o processo eleitoral, que são de conhecimento público e que, em nossa avaliação, afetaram o processo eleitoral.”
A principal contestação de Sánchez diz respeito aos votos no exterior -justamente os que garantiram a vitória, na quarta tentativa, da filha do ditador Alberto Fujimori (1990-2000). O político baseia seu argumento no fato de que, diferentemente do que ocorreu no primeiro turno, no segundo os votos nos consulados não foram digitalizados antes de serem enviados ao Peru.
Assim, como fez Keiko em 2021 com os votos rurais que deram vitória ao padrinho de Sánchez, Pedro Castillo, Sánchez tentou anular milhares de votos sob a acusação de que essa mudança violaria as regras eleitorais. A presidente eleita venceu por uma margem de quase 50 mil votos -foram 50,135% para ela e 49,865% para o candidato derrotado.
Apesar das acusações, observadores nacionais e internacionais não identificaram fraudes nas eleições. “De forma geral, a campanha foi competitiva e as liberdades fundamentais foram respeitadas”, afirmou a missão da União Europeia em uma declaração preliminar. “Um dia de eleições ordeiro, com incidentes isolados, e uma contagem de votos rápida e transparente”, disse ainda.
Na declaração desta segunda, a coalizão afirma também que, a partir do Congresso, farão “um controle político firme, vigilante e responsável para defender os direitos fundamentais dos cidadãos”. Assim como nos últimos anos, o Legislativo que vai assumir é fragmentado e tem como maior bancada o partido de Keiko, o Força Popular.
“Nossa coalizão parlamentar, a partir do Congresso da República, buscará restabelecer a paz em nosso país por meio de uma agenda inicial baseada na revogação das leis que favorecem o crime, na recuperação do direito ao referendo, no restabelecimento da estabilidade e da segurança jurídica, bem como na liberdade do presidente Pedro Castillo”, concluem, insistindo na promessa de campanha de Sánchez de libertar o político preso por uma tentativa de autogolpe em 2022.

Fonte: FolhaPress