Política
Sexta-feira, 19 de junho de 2026

Lula calcula desgaste e procura ministros para discutir situação de Jaques

Ala do Planalto pressiona por troca na liderança do governo no Senado; bancada do PT defende senador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula o desgaste ao governo federal gerado pela operação da PF (Polícia Federal) contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) e buscou ministros palacianos ao longo da quinta-feira (18) para tratar do tema. Os encontros aconteceram no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Uma ala do Palácio do Planalto avalia que a operação prejudica a imagem e a articulação política da gestão federal e defende que Jaques seja substituído na liderança do governo no Senado. Mas prevalece a avaliação de que Lula só deve tomar uma decisão após uma conversa pessoal com o parlamentar e outros aliados.

Lula teve uma primeira conversa por telefone com Jaques Wagner ainda na quinta, mas prefere esperar uma reunião presidencial para deliberar o assunto, segundo auxiliares. O presidente tem a agenda repleta de compromissos no Sudeste nos próximos dias, e o encontro deve ficar para a próxima semana.

Interlocutores do presidente indicam que o Planalto estava preparado para rebater alegações sobre conexões do PT baiano com o caso do Banco Master, mas foi surpreendido pela operação contra o senador.

Jaques Wagner e familiares foram alvos de busca e apreensão nesta quinta. O senador é suspeito de ter recebido vantagens indevidas do Banco Master. Em nota, o parlamentar nega atuação em favor desta ou de qualquer outra instituição financeira.

PT alinha discurso

PT alinhou seu discurso após a operação da PF, e a principal mensagem a ser divulgada pela militância será a de que qualquer revelação é responsabilidade do parlamentar e não do presidente Lula.

A ideia é individualizar Jaques Wagner ou qualquer outro aliado que venha a ser citado nas investigações e preservar o presidente, que disputa a reeleição neste ano.

Segundo apuração da CNN, o PT decidiu que seguirá usando o caso do Banco Master em sua comunicação e nas redes sociais. A mensagem a ser transmitida é que Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial e é o adversário quem tem ligações diretas com pessoas envolvidas em fraudes financeiras.

Nos próximos dias, parlamentares e dirigentes devem intensificar a divulgação de revelações envolvendo a visita de Flávio a Vorcaro e o áudio em que o senador cobrava do banqueiro recursos para o filme “Dark Horse”. Será lembrado ainda que o adversário chamou Vorcaro de “mermão”.

Presidente do PT, Edinho Silva afirmou nessa quinta-feira que o senador é “depositário de confiança”, mas disse que o partido apoia “todas as apurações envolvendo o Banco Master”.

“Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, escreveu.

O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, reforçou a “confiança” do partido em Jaques Wagner e afirmou que “uma tentativa de equiparar relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua”.

Fonte: CNN