Política
Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Kassio estuda estender período de impedimento no caso Master após mensagens sugerirem favores de Vorcaro

O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), estuda estender seu período de impedimento no caso Master após virem à tona mensagens que sugerem o recebimento de favores pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono da instituição financeira.
Na sessão-bomba do dia 15 de setembro, quando o plenário do STF começou a analisar se abriria uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, Kassio alegou que seu cargo de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o impedia de participar de julgamentos com impacto eleitoral.
Na época, ele disse que seu impedimento tinha caráter transitório e sinalizou a interlocutores que poderia voltar a atuar no caso Master após as eleições, quando já não estaria mais em jogo a sua independência para organizar o pleito. Agora, ele cogita permanecer mais um tempo submerso.
Segundo reportagem da revista piauí publicada nesta quinta-feira (15), Vorcaro custeou e promoveu uma festa com garotas de programas para o ministro. O evento ocorreu em seu tríplex no Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025.
De acordo com mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) no celular do ex-banqueiro, ele cuidou de todos os detalhes e envolveu sete pessoas -dois motoristas, um chef de cozinha, um mordomo, uma faxineira, um arquiteto e uma agenciadora de garotas de programa. As despesas foram de R$ 27 mil.
Em nota, Kassio diz que “nunca trocou me nsagens” com Vorcaro “e nem pediu nada” ao ex-banqueiro. “O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros”.
Ele também menciona na nota que nunca votou a favor de Vorcaro no Supremo e que inclusive se manifestou pela manutenção de sua prisão preventiva, na ocasião de um julgamento na Segunda Turma em junho deste ano.
O ministro ainda diz, na mesma nota, que a revista piauí “faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a condução da presidência do TSE”, em uma tentativa de fragilizar a Justiça Eleitoral a dez dias do segundo turno.
Nos bastidores, Kassio afirma a auxiliares que se sente vítima de perseguição e que os supostos ataques teriam dois objetivos principais: colocar em dúvida a sua atuação como chefe da corte eleitoral e mantê-lo fora dos processos sobre o Master.
O ministro avalia que seu impedimento continua sendo temporário, mas, a depender da escalada da crise, pode se alongar por um período maior do que ele inicialmente previu. Seria uma forma, por exemplo, de ele se antecipar a eventuais alegações de suspeição feitas junto ao STF.
Kassio decidiu se declarar impedido minutos antes de começar a sessão do Supremo que discutiria o relatório da PF segundo o qual Moraes seria um interlocutor frequente de Vorcaro. O anúncio enfraqueceu a ala do ministro André Mendonça, relator do Master e aliado do presidente do TSE.
A decisão foi tomada após o portal Metrópoles revelar, na manhã daquele mesmo dia, que conversas extraídas do celular de Vorcaro mostravam uma agenciadora de garotas de programa cobrando do ex-banqueiro um valor de R$ 10 mil, porque uma das mulheres “ficou com o Kassio”.
Diálogos examinados pela PF também citavam pagamentos do Master a seu filho, o advogado Kevin Marques, por meio de uma consultoria. Durante a sessão do dia 15 de setembro, Kassio rebateu: “Meu filho nunca prestou serviço ao banco e nem foi remunerado pelo banco. Isso é fato, meu sigilo já foi quebrado.”
“Eu tenho absoluta isenção, e a minha isenção está calcada e absolutamente comprovada. Se eu me sentisse desconfortável ou cooptado, jamais teria votado pela confirmação da prisão de Daniel Vorcaro, de seu pai ou de outras pessoas envolvidas”, continuou, na ocasião.
Ministros aliados de Moraes defendem que o impedimento de Kassio seja definitivo e que o magistrado seja também investigado no caso Master, em nome de um tratamento isonômico entre todos os citados no celular de Vorcaro.
Nesta semana, o presidente do STF, Edson Fachin, cobrou do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o envio ao Supremo de todas as menções a integrantes da corte no caso do Banco Master. A corporação vai consolidar os relatórios e encaminhá-los à corte, mas sem prazo definido.

Fonte: FolhaPress