
Há uma promessa no menu do Ama.zo. No texto de apresentação, lê-se que ali “um peruano se sente no Peru e o brasileiro é convidado a viajar sem sair da mesa”.
Para quem conhece o uso de ingredientes da Amazônia peruana e as possibilidades da culinária chifa (mescla das cozinhas peruana e chinesa), vislumbrar tudo isso num gostoso quintal na região central é um deleite. Também dá para comer no salão. Mas a área externa, grudada ao shopping Higienópolis, é mais agradável.
Minha primeira visita, num feriado, começou conturbada. Assim que recebi o cardápio fui avisada de que era melhor pedir logo, porque os pratos estavam demorando mais que o normal. Mesmo entradas frias demorariam cerca de 40 minutos. Como cheguei com vontade de comer chicharrón, escolhi tacos recheados com esse preparo de barriga de porco frita (R$ 55). Mas não tinha. Pedi tacos acevichados (R$ 66).
Em três minutos eles estavam sendo oferecidos à mesa da frente. Com a negativa dos clientes, eles foram redirecionados a mim. Se por um lado estranhei a rapidez com que chegou, por outro fiquei feliz por não ter esperado muito para começar o almoço.
Os cubinhos de peixe, envoltos em maionese acevichada sobre guacamole, não tinham o frescor esperado. As tortillas estavam macias, apesar de o cardápio dizer que eram crocantes. Mas o que incomodou foi o fato de a massa estar úmida além do esperado. Isso me fez desconfiar que tenham sido montadas previamente, e não na hora do pedido.
O principal levou um tempo normal para chegar. O arroz com pollo (R$ 95) é cremoso, ao molho de coentro e cerveja por baixo, frango por cima e um ovo com gema mole. Os coraçõezinhos estavam bons, com interior rosado.
Já o confit de frango parecia mais um frango grelhado. Não se assemelhava a um confit (técnica em que a carne é cozida em gordura, lentamente e em baixa temperatura) nem em aspecto nem em sabor. O aïoli de urucum sobre o arroz (salgado e também cremoso), pesou.
De sobremesa, chamou a atenção o tres leches (R$ 38), que na versão da casa leva sorvete de caju e pisco, cumaru e cardamomo. Esperava a indulgência típica desta receita ao passar a colher. O que veio foi gelato seguido por um creme firme e um bolinho seco embaixo. No conjunto, um sabor bem alcoólico, sem sinal das especiarias.
De segunda a sexta, no almoço, é possível pedir o menu-executivo, com entrada, principal e sobremesa a R$ 85. Escolhi fazer a segunda visita numa quarta para provar o chaufa y panceta, prato que ouvi o gerente do restaurante recomendar a algumas mesas na visita anterior.
Mas vamos começar pela entrada, o minicroquet de pollo. Já que era míni, imaginei que viessem uns dois ou três. Mas veio um só mesmo, como indicava o nome no singular. Uma boa fritura, crocante por fora e macia Algumas receitas do restaurante não entregam os preparos e o gosto das especiarias descritas no cardápio por dentro, mas que ficou devendo em sabor.
O principal veio bem servido. Chaufa é um arroz frito, ali salteado com vegetais na wok. Dava para ver pequenos brócolis, quadradinhos de vagem e de (muito) pimentão vermelho, e repolho roxo. Os grãos de arroz tinham crocância e estavam firmes e soltinhos. Já a pancetta laqueada em molho teriyaki acertava na crostinha brilhante, untuosa e agridoce. A carne estava macia, mas faltava a suculência esperada a uma boa barriga de porco. Por cima, uma couve frita picada bem fina emprestava cor.
De sobremesa, sorbet de jabuticaba com doce de leite e praliné. De um lado, acidez e temperatura. Do outro, textura aveludada num dulçor bem marcado que ameniza os taninos da jabuticaba. Uma combinação acertada. Pena que o praliné, que entraria com uma bem-vinda crocância, tinha pedaços grandes e duros demais que nem quebravam nem derretiam com facilidade.
À viagem prometida faltaram sabores amazônicos, rigor técnico e frescor da culinária peruana.
AMA.ZO
Avaliação Regular
Av. Higienópolis, 618, Higienópolis, região central
@amazoperuano
Fonte: FolhaPress
