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Terça-feira, 6 de outubro de 2026

JPMorgan rebaixa Banco do Brasil e eleva Bradesco após rali no setor financeiro

JPMorgan altera recomendações para bancos brasileiros, elevando Bradesco e rebaixando Banco do Brasil. Ações reagem no mercado nesta terça-feira.

O JPMorgan promoveu uma revisão ampla nas recomendações e preços-alvo para as instituições financeiras brasileiras, refletindo a forte valorização dos papéis no rali pós-eleitoral e a queda nas taxas de juros de longo prazo. No novo panorama, o Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight (compra), enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) sofreu rebaixamento de neutro para underweight (venda).

Na reação imediata do mercado, por volta das 10h20 desta terça-feira (6), as ações de BBDC4 subiam 3,98% (R$ 22,71), estendendo os fortes ganhos do pregão anterior. Em sentido oposto, os papéis BBAS3 recuavam 2,28% (R$ 25,73).

O principal indutor do reajuste foi a redução de cerca de 1,5 ponto percentual na premissa de custo de capital próprio adotada pelo banco de investimentos, acompanhando o alívio na curva do DI de dez anos — que recuou de 14,4% para aproximadamente 13%. Esse fator isolado responde por até 20% das elevações de preço-alvo concedidas às empresas sob cobertura.

MUDANÇAS DE RECOMENDAÇÃO E PREÇOS-ALVO

EmpresaTickerRecomendação AnteriorNova RecomendaçãoNovo Preço-AlvoPotencial (Upside/Downside)
BradescoBBDC4NeutroOverweight (Compra)R$ 26,00+19%
Banco do BrasilBBAS3NeutroUnderweight (Venda)R$ 23,00-13%
Itaú UnibancoITUB4OverweightOverweight (Compra)R$ 60,00+21%
XPXPBR31OverweightOverweight (Compra)US$ 38,00+35%
BTG PactualBPAC11OverweightOverweight (Compra)R$ 87,00+7%
B3B3SA3NeutroNeutroR$ 24,50+5%
NubankROXO34OverweightOverweight (Compra)US$ 23,00+52%
Banco InterINBR32OverweightOverweight (Compra)R$ 55,00+67%

Diagnóstico das Grandes Instituições Bancárias

  • Bradesco (BBDC4): A melhora de nota apoia-se na evolução do plano de reestruturação operacional, com recuperação paulatina das margens e redução do custo de risco. Analistas projetam expansão do ROE de 15,9% em 2026 para 16,8% em 2028, com lucro líquido atingindo R$ 28,1 bilhões este ano e R$ 34,8 bilhões em 2028.
  • Banco do Brasil (BBAS3): A despeito do aumento residual no preço-alvo (de R$ 22 para R$ 23), a tese foi rebaixada pela expectativa de uma recuperação operacional mais morosa. A alta exposição ao agronegócio limita os benefícios da queda da Selic e pressiona a qualidade dos ativos. O ROE projetado para 2026 caiu para 8,7%, e o lucro estimado recuou a R$ 16 bilhões, ante R$ 20,7 bilhões em 2025.
  • Itaú Unibanco (ITUB4): Mantém o posto de escolha preferencial (top pick) entre os grandes bancos tradicionais. O relatório destaca a alta rentabilidade e a capacidade de capturar o ganho de atividade econômica e a retomada do investment banking.

Mercado de Capitais e Neobancos

Para o ecossistema de mercado de capitais, o JPMorgan elevou em até 12% as projeções de lucro para B3 e XP, favorecidas pelo ADTV do mercado à vista em R$ 103 bilhões (três a quatro vezes superior aos níveis pré-eleitorais). A XP permanece como a preferida do segmento devido a múltiplos atrativos e potencial entrada de fluxos oriundos da renda fixa.

A B3, apesar do ajuste no preço-alvo, permanece em posição neutra por restrições de valuation (negociando a 17 vezes o lucro projetado para 2027). Por fim, o relatório identifica Nubank e Inter como papéis defasados no rali recente, apresentando a melhor relação entre risco e retorno no momento, impulsionados por ganho de escala e eficiência de custo.

Fonte: IstoéDinheiro