
JPMorgan altera recomendações para bancos brasileiros, elevando Bradesco e rebaixando Banco do Brasil. Ações reagem no mercado nesta terça-feira.
O JPMorgan promoveu uma revisão ampla nas recomendações e preços-alvo para as instituições financeiras brasileiras, refletindo a forte valorização dos papéis no rali pós-eleitoral e a queda nas taxas de juros de longo prazo. No novo panorama, o Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight (compra), enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) sofreu rebaixamento de neutro para underweight (venda).
Na reação imediata do mercado, por volta das 10h20 desta terça-feira (6), as ações de BBDC4 subiam 3,98% (R$ 22,71), estendendo os fortes ganhos do pregão anterior. Em sentido oposto, os papéis BBAS3 recuavam 2,28% (R$ 25,73).
O principal indutor do reajuste foi a redução de cerca de 1,5 ponto percentual na premissa de custo de capital próprio adotada pelo banco de investimentos, acompanhando o alívio na curva do DI de dez anos — que recuou de 14,4% para aproximadamente 13%. Esse fator isolado responde por até 20% das elevações de preço-alvo concedidas às empresas sob cobertura.
MUDANÇAS DE RECOMENDAÇÃO E PREÇOS-ALVO
| Empresa | Ticker | Recomendação Anterior | Nova Recomendação | Novo Preço-Alvo | Potencial (Upside/Downside) |
| Bradesco | BBDC4 | Neutro | Overweight (Compra) | R$ 26,00 | +19% |
| Banco do Brasil | BBAS3 | Neutro | Underweight (Venda) | R$ 23,00 | -13% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | Overweight | Overweight (Compra) | R$ 60,00 | +21% |
| XP | XPBR31 | Overweight | Overweight (Compra) | US$ 38,00 | +35% |
| BTG Pactual | BPAC11 | Overweight | Overweight (Compra) | R$ 87,00 | +7% |
| B3 | B3SA3 | Neutro | Neutro | R$ 24,50 | +5% |
| Nubank | ROXO34 | Overweight | Overweight (Compra) | US$ 23,00 | +52% |
| Banco Inter | INBR32 | Overweight | Overweight (Compra) | R$ 55,00 | +67% |
Diagnóstico das Grandes Instituições Bancárias
- Bradesco (BBDC4): A melhora de nota apoia-se na evolução do plano de reestruturação operacional, com recuperação paulatina das margens e redução do custo de risco. Analistas projetam expansão do ROE de 15,9% em 2026 para 16,8% em 2028, com lucro líquido atingindo R$ 28,1 bilhões este ano e R$ 34,8 bilhões em 2028.
- Banco do Brasil (BBAS3): A despeito do aumento residual no preço-alvo (de R$ 22 para R$ 23), a tese foi rebaixada pela expectativa de uma recuperação operacional mais morosa. A alta exposição ao agronegócio limita os benefícios da queda da Selic e pressiona a qualidade dos ativos. O ROE projetado para 2026 caiu para 8,7%, e o lucro estimado recuou a R$ 16 bilhões, ante R$ 20,7 bilhões em 2025.
- Itaú Unibanco (ITUB4): Mantém o posto de escolha preferencial (top pick) entre os grandes bancos tradicionais. O relatório destaca a alta rentabilidade e a capacidade de capturar o ganho de atividade econômica e a retomada do investment banking.
Mercado de Capitais e Neobancos
Para o ecossistema de mercado de capitais, o JPMorgan elevou em até 12% as projeções de lucro para B3 e XP, favorecidas pelo ADTV do mercado à vista em R$ 103 bilhões (três a quatro vezes superior aos níveis pré-eleitorais). A XP permanece como a preferida do segmento devido a múltiplos atrativos e potencial entrada de fluxos oriundos da renda fixa.
A B3, apesar do ajuste no preço-alvo, permanece em posição neutra por restrições de valuation (negociando a 17 vezes o lucro projetado para 2027). Por fim, o relatório identifica Nubank e Inter como papéis defasados no rali recente, apresentando a melhor relação entre risco e retorno no momento, impulsionados por ganho de escala e eficiência de custo.
Fonte: IstoéDinheiro