No Mundo
Sexta-feira, 19 de junho de 2026

Irã quer garantias sobre Líbano antes de retomar negociações com os EUA

Segundo diplomata, as conversas planejadas estão “temporariamente suspensas” após ataques de Israel no país; Teerã afirma que Beirute é parte do acordo firmado com Washington

O Irã solicitou garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão antes de retomar as negociações com os Estados Unidos na Suíça, informou um diplomata com conhecimento do assunto à CNN.

“Os iranianos solicitaram garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão, conforme estipulado no acordo assinado”, disse a fonte, acrescentando que “os mediadores estão trabalhando para resolver a questão”.

O diplomata descreveu as negociações planejadas como “temporariamente suspensas em decorrência dos ataques israelenses no Líbano”, sem especificar quando os mediadores esperam retomá-las.

    Tensões entre EUA e Israel

    Na quinta-feira (18), o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou duramente os israelenses que se opõem ao acordo com o Irã, afirmando que o presidente americano, Donald Trump, é o único aliado de Israel, em uma forte repreensão com referência aos bilhões em ajuda militar que o país recebe dos EUA.

    Vance defendeu o acordo firmado nesta semana para pôr fim à guerra com o Irã, criticado nos EUA e em Israel por não conseguir conter o programa de mísseis do Irã e por não oferecer um caminho claro para o desmantelamento de suas instalações nucleares, ao mesmo tempo em que restringe Israel em sua guerra contra militantes do Hezbollah no Líbano.

    Trump tem criticado repetidamente Israel, seu aliado de longa data, trazendo mais tensão ao quadro quase quatro meses após os dois países se unirem para atacar o Irã.

    Questionado em uma coletiva de imprensa na Casa Branca sobre reportagem segundo a qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, estaria furioso com o acordo, Vance disse não ter ouvido tais comentários do premiê, mas criticou membros do gabinete do israelense, que, segundo ele, criticaram o acordo e atacaram Trump pessoalmente.

    “Minha mensagem para eles seria dupla. Primeiro: Donald J. Trump é o único chefe de Estado em todo o mundo que demonstra simpatia pela nação de Israel neste momento”, disse o vice-presidente aos jornalistas da Casa Branca.

    “Se eu estivesse no gabinete do governo israelense, talvez não tenha atacado o único aliado poderoso que me resta em todo o mundo”.

    Ele disse que também lembraria a esses membros do gabinete que dois terços das armas defensivas que protegeram Israel “foram fabricadas por mãos norte-americanas e pagas com o dinheiro dos contribuintes norte-americanos”.

    Os Estados Unidos fornecem a Israel cerca de US$ 4 bilhões em assistência militar por ano. Os dois países estão negociando um novo acordo de ajuda.

    “O problema para Israel não é Donald J. Trump, e qualquer pessoa em Israel que ache que seu maior problema é o presidente dos Estados Unidos precisa acordar e enxergar a realidade da situação em que o país se encontra”, declarou Vance.

    O gabinete de Netanyahu e o Ministério das Relações Exteriores de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

    Israel se opõe ao acordo

    Autoridades israelenses de alto escalonamento afirmaram anonimamente que os termos do acordo eram ruínas para Israel porque não abordaram as preocupações sobre o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã, visão que, segundo eles, é compartilhada por toda a liderança israelense.

    Trump tentou minimizar as preocupações de Israel durante suas considerações finais na quarta-feira (17), na cúpula do G7, na França. Netanyahu poderia adotar uma “abordagem mais branda” na luta contra os militantes do Hezbollah no Líbano, disse Trump.

    Em seus primeiros comentários desde o acordo, Netanyahu disse em um evento público que Israel valoriza sua relação com os EUA, mas continuará a ocupar o sul do Líbano para garantir a segurança dos cidadãos que vivem perto da fronteira norte de Israel.

    “Isso exige a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano; exige que não saíamos de lá enquanto as necessidades de segurança de Israel assim o exigem”, pontuou Netanyahu.

    Israel publicou na quinta-feira (18) um mapa mostrando uma zona de controle militar ampliada no sul do território libanês e afirmou que não descartaria a possibilidade de ataques além dela, desafiando os termos do pacto entre os EUA e o Irã.

    Fonte: CNN