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Terça-feira, 17 de março de 2026

Com plano de obter licença bancária, Nubank se filia à Febraban

Nubank anunciou nesta segunda-feira, 16, que se filiou à Federação Brasileira de Bancos – Febraban. O movimento ocorre em meio ao processo do Nubank para obter licença bancária para atuação oficial como um banco.

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Hoje, apesar de ser a maior instituição financeira privada do Brasil em número de clientes, o Nubank não opera oficialmente como banco conforme as licenças do Banco Central. O Nubank, sob o ponto de vista regulatório, possui três licenças – instituição de pagamento, sociedade de crédito, financiamento e investimento e  sociedade corretora de títulos e valores mobiliários.

O Nubank diz que pretende “é obter a licença” bancária, e que para isso existem dois caminhos: pedir a licença para o BC ou a adquirir uma instituição que já tenha essa licença e que seria somada no conglomerado, e que esse caminho para obter a licença o Nubank ainda não definiu qual seguirá.

O Nubank também explica que está classificado pelo Banco Central no chamado segmento S2, ou seja, um nível regulatório para instituições financeiras de porte intermediário, que implica regras de capital e liquidez específicas, mas com menos rigor que os grandes bancos, que seriam S1.

Fundado há 12 anos, o Nubank é atualmente uma das maiores plataformas digitais de serviços financeiros do mundo, com 131 milhões de clientes. Em 2025, a companhia registrou receita de US$ 16,3 bilhões e lucro líquido de US$ 2,9 bilhões. No Brasil, o Nubank reúne 113 milhões de clientes, e atende mais de 60% da população adulta.

Segundo o Nubank, a instituição participando de outras entidades setoriais, como Zetta, ABBC e ANBIMA, contribuindo para as agendas de competitividade, inovação e sustentabilidade do sistema financeiro. Além disso, Segundo reforça que a instituição já cumpre os Princípios de Basileia (obrigatório para um banco), presta contas para Receita Federal e o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e já tem exigência mínima de capital.

Nova regulamentação do BC no nome ‘bank’ ou ‘banco’

No final de novembro de 2025, o BC anunciou uma nova resolução em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentando a nomenclatura e a forma de apresentação ao público das instituições autorizadas a funcionar pelo BC.

De acordo com a resolução, as instituições de pagamento, muitas delas fintechs, não podem usar o termo “banco” ou “bank” em seu nome se não tiverem autorização para funcionar nessa modalidade. Nesses casos, elas terão que adequar seus nomes em até um ano, conforme a nova norma do BC, apresentando um plano de adequação, no prazo de 120 dias (ou quatro meses), apontando os procedimentos que serão adotados e o prazo para a adequação da instituição às novas regras.

A nomenclatura abrange o nome empresarial, o nome fantasia, a marca e o domínio de internet utilizados pelas instituições e vale para qualquer meio de comunicação e apresentação ao público dessas instituições.

Dias depois, o Nubank então anunciou que estava trabalhando para obter uma licença bancária no Brasil. A instituiução reforça que possui três licenças, operando com licença de instituição de pagamento e também de Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) – ou seja, não pode fazer intermediação financeira do jeito clássico, tal como bancos incumbentes, apenas emprestar dinheiro usando capital dos acionistas, do próprio caixa ou de captações no mercado financeiro.

“Embora seja popularmente um banco digital, o Nubank opera como instituição de pagamento e, para atender às exigências do BC, busca obter uma licença bancária plena para 2026, permitindo expandir serviços e ter mais controle regulatório, sem perder sua identidade”, informou na época.

Nubank e Febraban já tiverama atritos

Em meio ao debate sobre as licenças bancárias no final do ano passado, o CEO da fintech, David Vélez, disse em uma postagem no LinkedIn que a empresa pagava mais imposto que os grandes bancos e que contribui para o acirramento da concorrência.

“Esses são os fatos, a despeito de muitas falsas narrativas lançadas por aqueles que não estão tolerando muito bem a competição e a transformação do setor”, disse o executivo.

A Febraban então  rebateu os argumentos de Vélez. “David Vélez apresenta o Nubank como ‘campeão de inclusão financeira’ e ‘campeão de pagador de impostos’. Porém, há realidades que precisam ser enfrentadas e temos vários questionamentos”, afirmou, ao classificar a postagem como “totalmente enviesada”, escreveu a Febraban.

No início de dezembro O Nubank afirmou que não pretende ‘ficar respondendo a ataques’, em reação às críticas da Febraban.

A entidade também considerou que os números do roxinho mostram ‘elevadas taxas de juros, alto patamar de inadimplência e forte impacto no endividamento dos seus clientes’.

“A Febraban também verificou que 97,7% da carteira Pessoa Física da companhia é destinada às linhas mais caras de mercado: cartão de crédito (64,8%) e pessoal não consignado (32,8%), e ZERO financiamento imobiliário, de veículos e para o agronegócio”, dizia a nota da Febraban divulgada na época. “Apesar de o Nubank ter maior ROE, a proporção entre impostos devidos e lucro é a menor na comparação com 4 bancos de varejo, gerando enorme vantagem competitiva”, completa, rebatendo argumentos sobre impostos.

Nesta segunda, ao comentar a filiação do Nubank, a Febraban afirma que a decisão de acolher o Nubank como associada está “alinhada ao seu compromisso permanente com a pluralidade de visões da indústria financeira brasileira, bem como com a abertura ao diálogo qualificado entre instituições que se pautam por diferentes modelos de negócios”.

Fonte: IstoéDinheiro