
A ideia de construir uma nova sede para o governo do estado de São Paulo na região central da capital paulista é considerada ótima ou boa para 64% da população, segundo pesquisa Datafolha encomendada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). Essa aprovação oscila positivamente para 66% entre moradores e trabalhadores de distritos centrais da cidade.
Em um cenário de baixo conhecimento sobre a obra, com 32% dos entrevistados sabendo o que é o projeto e 7% considerando-se bem informados, a aceitação sobe quando o público recebe detalhes sobre os objetivos da gestão: 79% na amostra geral passam a avaliar a ideia como positiva. No grupo de quem vive ou trabalha no entorno, esse índice é de 75%.
Para chegar a esses resultados, o Datafolha ouviu 1.280 moradores de todas as regiões da cidade e 284 pessoas que residem ou trabalham no centro entre 17 e 19 de novembro de 2025. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, na amostra total e de 6 pontos para habitantes da área central. O nível de confiança é de 95%.
Promessa da atual gestão para a requalificação de áreas degradadas por aglomerações de usuários de crack, o novo centro administrativo do governo paulista prevê a instalação de uma dezena de torres de escritórios no entorno do parque Princesa Isabel, no bairro Campos Elíseos. O complexo pretende concentrar 22 mil servidores atualmente distribuídos em 40 endereços.
A obra com investimento estimado em mais de R$ 6 bilhões deverá ser viabilizada por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada), cujo leilão para definir a empresa que irá construir e gerir os edifícios está marcado para o próximo dia 26.
Os entrevistados se mostraram divididos quanto à capacidade do estado de entregar a obra em cinco anos e também de evitar que a estrutura fique isolada do entorno. Divisão que também aparece quanto a eventuais benefícios e prejuízos à população vulnerável dos arredores.
A confiança na conclusão da obra até o ano de 2030 registrou nota média de 5,2 em uma escala de 1 a 10. O levantamento identificou 36% que atribuíram notas de 1 a 4 e 37% que deram notas de 7 a 10.
Sobre a integração urbanística, 49% dos paulistanos dizem acreditar que o edifício será um espaço aberto e integrado ao bairro. Outros 45% avaliam que a estrutura será um espaço fechado e isolado da dinâmica local.
A fase de construção gera previsões de prejuízos para as pessoas em situação de vulnerabilidade para 53% da amostra. Com a obra pronta, 50% projetam benefícios para esse público, enquanto 41% mantêm a perspectiva de prejuízos.
O trânsito é o principal ponto crítico apontado pela pesquisa, com 47% prevendo piora no fluxo de veículos. No setor de transporte público, 53% acreditam em melhorias.
Idealizador do projeto, o secretário estadual de Projetos Estratégicos, Guilherme Afif Domingos, atribui o ceticismo popular quanto aos prazos ao histórico de atrasos em obras públicas. “Essa é a desconfiança no poder público. Aqui há uma diferença, essa será uma PPP, com prazos rigorosos e cálculo de retorno”, diz.
Sobre os impactos para o trânsito e dificuldade na integração dos prédios ao entorno, o secretário diz que, passada a fase de obras, tais questões serão resolvidas pela ampla oferta de transporte público e pelo projeto urbanístico que prevê fruição pública entre os edifícios.
O secretário ainda afirmou que a oferta de moradia na região para pessoas de baixa renda será a resposta do estado ao risco de prejuízo às famílias vulneráveis que moram no entorno, tema que também dividiu os entrevistados.
Em linhas gerais, a pesquisa aponta para um viés de aprovação do centro administrativo.
Para 84% dos entrevistados, a nova sede trará mais benefícios do que prejuízos para os comerciantes da região central o indicador varia para 83% quando a pergunta é específica sobre o impacto após a conclusão da obra. O índice de percepção de benefícios para os moradores do centro é de 79%, enquanto para a cidade de São Paulo em geral o valor é de 82%.
As expectativas de melhoria com a instalação do governo no centro recaem sobre a segurança e limpeza para 77% dos ouvidos. A oferta de empregos é apontada como área de melhora por 75% e o turismo por 70% da população.
A pesquisa aponta que 62% dos cidadãos dizem acreditar que a nova sede atrairá mais pessoas para morar na região. Esse índice de expectativa de reocupação residencial sobe para 71% entre os que já circulam diariamente pelo entorno.
A recuperação do centro é considerada importante para 93% dos entrevistados. Além disso, 86% concordam que o poder público tem o dever de investir na região para atrair novos moradores e empresas para o local.
Fonte: FolhaPress
