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Quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Irã avisa países vizinhos que pode atacar bases dos EUA se sofrer ofensiva

Presidente americano, Donald Trump, tem feito ameaças ao país em meio a onda de protestos contra o regime teocrático

O Irã alertou os países vizinhos que abrigam tropas americanas de que retaliará bases dos Estados Unidos caso Washington cumpra as ameaças de intervir nos protestos no país, disse um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (14).

Três diplomatas afirmaram que alguns militares foram aconselhados a deixar a principal base aérea americana na região, embora não haja indícios imediatos de uma retirada de tropas em larga escala, como a que ocorreu horas antes do ataque com mísseis iranianos no ano passado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã, onde um grupo de direitos humanos afirmou que mais de 2.500 pessoas foram mortas nos últimos dias em uma repressão a um dos maiores movimentos de protesto contra o regime teocrático.

    Segundo uma avaliação israelense, Trump decidiu intervir, embora o alcance e o momento dessa ação permaneçam incertos, afirmou um oficial israelense.

    Três diplomatas disseram à Reuters que alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, até a noite desta quarta-feira.

    Um dos diplomatas descreveu a medida como uma “mudança de postura” em vez de uma “retirada ordenada”.

    Não havia indícios de uma movimentação em larga escala de tropas da base para um estádio de futebol e um shopping center próximos, como ocorreu no ano passado, horas antes de o Irã atacar a base com mísseis em retaliação aos ataques aéreos americanos contra alvos nucleares iranianos.

    A embaixada dos americana em Doha não se pronunciou imediatamente e o Ministério das Relações Exteriores do Catar não respondeu de imediato a um pedido de comentário.

    Trump vem ameaçando abertamente intervir no Irã há dias, embora sem dar detalhes.

    Em entrevista à CBS News na terça-feira (13), o presidente americano prometeu “ações muito fortes” caso o Irã execute manifestantes.

    “Se eles os enforcarem, vocês verão o que acontece”, disse o republicano. Ele também incentivou os iranianos na terça-feira a continuarem protestando e a tomarem o controle das instituições, declarando que “a ajuda está a caminho”.

    Uma fonte iraniana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que Teerã pediu aos aliados dos EUA na região que “impeçam Washington de atacar o Irã”.

    “Teerã informou aos países da região, da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos à Turquia, que as bases americanas nesses países serão atacadas” caso os EUA ataquem o Irã, afirmou a fonte.

    A fonte acrescentou que os contatos diretos entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensos, refletindo o aumento das tensões.

    Uma segunda fonte israelense, funcionário do governo, afirmou que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado na noite de terça-feira sobre as chances de colapso do regime ou de intervenção dos EUA no Irã.

    Israel travou um conflito de 12 dias contra seu arqui-inimigo no ano passado, na qual os Estados Unidos entraram no final.

    Os EUA mantêm forças em toda a região, incluindo o quartel-general avançado do Comando Central em Al Udeid, no Catar, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA no Bahrein.

    Irã mantém contato com Turquia, Emirados Árabes Unidos e Catar

    A mídia estatal iraniana informou que o chefe do principal órgão de segurança do Irã, Ali Larijani, conversou com o ministro das Relações Exteriores do Catar e que Araqchi conversou com seus homólogos dos Emirados Árabes Unidos e da Turquia.

    Araqchi disse ao ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Abdullah bin Zayed, que “a calma prevaleceu” e que os iranianos estão determinados a defender sua soberania e segurança contra qualquer interferência estrangeira, informou a mídia estatal.

    O fluxo de informações do interior do Irã tem sido prejudicado por um bloqueio da internet.

    A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos EUA, afirmou ter verificado até o momento a morte de 2.403 manifestantes e 147 indivíduos ligados ao governo.

    As autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos e Israel de fomentar os protestos, realizados por pessoas que consideram terroristas.

    Justiça do Irã exige ações rápidas 

    Ao visitar uma prisão em Teerã onde manifestantes presos estão detidos, o presidente da justiça iraniana afirmou que a celeridade no julgamento e na punição daqueles “que decapitaram ou queimaram pessoas” é crucial para garantir que tais eventos não se repitam.

    A HRANA reportou 18.137 prisões até o momento.

    O Hengaw, um grupo iraniano de direitos humanos curdo, noticiou que Erfan Soltani, de 26 anos, preso em conexão com os protestos na cidade de Karaj, seria executado nesta quarta-feira (14).

    O grupo disse à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira que não conseguiu confirmar se a sentença foi cumprida. A Reuters não conseguiu confirmar a informação de forma independente.

    Manifestações pró-governo foram realizadas no Irã na segunda-feira (12), demonstrando o apoio de seguidores ao regime teocrático iraniano. Até o momento, não há sinais de ruptura nas forças de segurança que reprimiram outros protestos ao longo dos anos.

    Embora as autoridades iranianas tenham resistido a protestos anteriores, a onda atual ocorre em um momento em que Teerã ainda se recupera do conflito de junho de 2025 e com sua posição regional enfraquecida por golpes sofridos por aliados como o Hezbollah, do Líbano, desde os ataques liderados pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

    Questionado sobre o que quis dizer com “a ajuda está a caminho”, Trump disse a repórteres na terça-feira (13) que eles teriam que descobrir. Trump afirmou que a ação militar está entre as opções que ele está considerando para punir o Irã pela repressão.

    “O assassinato parece ser significativo, mas ainda não sabemos ao certo”, disse o líder americano ao retornar da região de Detroit para Washington, acrescentando que saberia mais após receber um relatório na noite de terça-feira.

    Na segunda-feira, Trump anunciou tarifas de importação de 25% sobre produtos de qualquer país que faça negócios com o Irã — um dos principais exportadores de petróleo.

    O Departamento de Estado dos EUA recomendou na terça-feira que os cidadãos americanos deixem o Irã imediatamente.

    Fonte: CNN