No Mundo
Domingo, 30 de março de 2025

Europeus não chegam a acordo sobre força de paz na Ucrânia

Em mais uma reunião para mostrar apoio à Ucrânia enquanto dos Estados Unidos de Donald Trump se aproximam da Rússia na visão sobre a guerra iniciada há três anos, líderes ocidentais concordaram em divergir novamente sobre como ajudar Kiev em uma reunião em Paris nesta quinta (27).
Foi o terceiro encontro do tipo liderado pela França e pelo Reino Unido, que somaram outros 29 países ao que chamam de “coalizão dos dispostos” no caso, a continuar o apoio ocidental a Volodimir Zelenski, que estava presente. Os EUA não estavam presentes.
Nas outras reuniões, os líderes não se acertaram no fornecimento de 5 bilhões (R$ 31 bilhões hoje) em artilharia e outros auxílios aos ucranianos. Nesta quinta, a discórdia foi acerca de uma força de paz para garantir a segurança de Kiev no caso de haver um cessar-fogo com Moscou.
Agora chamada de “força de resseguro” pelo presidente francês, Emmanuel Macron, tal contingente internacional seria baseado em cidades estratégicas da Ucrânia, evitando a linha de frente de um conflito congelado enquanto um acordo de paz não sai.
“Não foi unânime hoje, como todos sabemos, mas nós não precisamos de unanimidade”, disse Macron ao lado de Zelenski, sugerindo que Paris e Londres seguirão com a montagem do plano sem o apoio de atores europeus importantes, como a Itália e Polônia, e com a oposição aberta da russófila Hungria.
Em princípio, apesar de sua guinada pró-Kremlin que disparou rodadas de negociações que não ocorriam desde o começo da guerra, Trump aprova a ideia, desde que não envolva forças americanas. O republicano conversou, antes da cúpula de Paris, com Macron.
Na prática, contudo, é incerto como o plano irá em frente, não menos porque ele é vetado de forma peremptória por Putin, e Trump tem sido bastante aberto às pressões vindas do Kremlin enquanto busca o título de pacificador do conflito.
O americano até se mostrou simpático quando o Kremlin disse aderir a um cessar-fogo nas atividades militares do mar Negro, desde que fossem levantadas sanções a instituições russas que financiam a exportação de fertilizantes que escoavam pela região e tiveram de achar caminhos alternativos mais caros com a guerra.
No encontro de Paris, houve relativo consenso de que tal medida seria inaceitável agora. “Houve absoluta clareza de que a Rússia está tentando adiar [a trégua], está jogando jogos”, disse o premiê britânico, Keir Starmer. Ele foi acompanhado no raciocínio pelo demissionário colega alemão, Olaf Scholz.
Zelenski, por sua vez, usou o tom acusatório de costume. Disse que o outro item da trégua provisória negociada pelos EUA com times ucranianos e russos na Arábia Saudita, o fim de ataques ao sistema energético dos rivais, estava sendo violado pela Rússia.
Ele citou um apagão ocorrido horas antes em Kherson, capital da província homônima quase toda tomada pelos russos. Mas o incidente foi resultado de um bombardeio de artilharia, e não um ataque aéreo mirando especificamente alguma estação de transmissão de energia.
Ao mesmo tempo em que o presidente falava em Paris, o ministério responsável pela área energética em Kiev divulgou que não tinha havido violação por nenhum dos lados desde que a trégua foi acertada, na terça (25). O Kremlin também discorda, dizendo que sua infraestrutura de distribuição de gás foi alvejada.
Zelenski voltou para casa com mais promessas de ajuda, a começar pela do anfitrião do encontro, que prometeu mais 2 bilhões (R$ 12,4 bilhões) em apoio militar. Como ocorreu em episódios passados, o tempo de liberação desses recursos é bastante nebuloso.

Fonte: FolhaPress