FABIANO MAISONNAVE
MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – Preocupado com a ameaça de genocídio dos povos indígenas diante da Covid-19, o fotógrafo Sebastião Salgado mobilizou dezenas de personalidades mundiais em torno de um manifesto que exorta o Estado brasileiro a proteger essas populações.
“Diante da urgência e da seriedade dessa crise, como amigos do Brasil e admiradores de seu espírito, cultura, beleza, democracia e biodiversidade, apelamos ao presidente da República, sua excelência senhor Jair Bolsonaro, e aos líderes do Congresso e do Judiciário a adotarem medidas imediatas para proteger as populações indígenas do país contra esse vírus devastador.”
O texto acima foi publicado em forma de anúncio em jornais do Brasil e do exterior, incluindo esta Folha. “Esses povos são parte da extraordinária história de nossa espécie. Seu desaparecimento seria uma grande tragédia para o Brasil e uma imensa perda para a humanidade. Não há tempo a perder”, afirma o manifesto.
Subscrevem a iniciativa Madonna, Paul McCartney, Sting, Sylvester Stallone, Pedro Almodóvar, Brad Pitt, Meryl Streep, Ai Weiwei, Tadao Ando, Werner Herzog e o príncipe Albert 2º, de Mônaco, entre outros nomes de renome internacional.
Do Brasil, assinam Gisele Bündchen, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Luciano Huck, Fernando Meirelles, João Carlos Martins, Carlos Nobre e Beatriz Milhazes, além de Salgado e da designer Lélia, sua mulher.
“Só em Roraima, calculam-se em torno de 20 mil garimpeiros dentro do território ianomâmi. Há madeireiros invadindo para todo lado. O contato hoje com o coronavírus é um perigo total. E, como eles não têm defesa imunológica, há um risco maior de genocídio. A minha preocupação é de defesa desses povos”, disse Salgado à Folha, por telefone, de Paris.
Salgado passou boa parte dos últimos sete anos fotografando povos indígenas da Amazônia. A Folha acompanha as viagens do fotógrafo brasileiro, relatadas nas reportagens da série “Sebastião Salgado na Amazônia”.
“Estamos solicitando uma intervenção, uma força-tarefa que entre nesses territórios e proteja essa população, como aconteceu nos meses de julho e agosto, nos incêndios florestais, quando houve uma enorme pressão internacional”, afirmou o fotógrafo.
“Tenho esperança de que tenha repercussão principalmente do Legislativo e do Judiciário, pessoas com uma preocupação intelectual maior do que a Presidência da República.”
Nos últimos dias, o governo Bolsonaro afastou chefes de fiscalização do Ibama favoráveis ao combate ao garimpo ilegal em terras indígenas e emitiu uma portaria, via Funai, que abre caminho para a grilagem de terras indígenas. Ambas decisões são criticadas por líderes indígenas e ambientalistas.
Covid na Amazônia Com o epicentro em Manaus, o novo coronavírus já se espalhou pelos nove países com território na região Amazônica. Monitoramento da Repam (Rede Eclesial Panamazônica), ligada à Igreja Católica, contabiliza 20.471 casos confirmados da Covid-19, com 1.257 mortos, até o dia 30 de abril.
O levantamento da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, aponta 105 casos confirmados entre os índios. Houve seis óbitos, todos registrados na Amazônia.
A Sesai não contabiliza nem atende indígenas morando nas cidades. Assim, casos como o do agente epidemiológico Aldevan Baniwa, 46, morto por coronavírus em Manaus, onde moram cerca de 30 mil indígenas, ficam de fora da estatística oficial.
“Temos de criar um movimento planetário de proteção às comunidades indígenas. A pré-história da humanidade está dentro da floresta amazônica, nesses grupos isolados, que somos nós há 10 mil, 20 mil anos. A humanidade não pode perder, é a origem de todos nós, sem exceção”, diz Salgado.
Cultura
Sábado, 7 de fevereiro de 2026
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