
Prefixados e títulos IPCA+ de vencimento longo devem concentrar as oscilações; especialistas apontam maior proteção relativa no Tesouro Selic.
As taxas do Tesouro Direto devem subir nesta segunda-feira (26), na avaliação de gestores e economistas ouvidos pelo InfoMoney, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expectativa é de reversão parcial ou integral da queda dos juros registrada depois do primeiro turno.
Os títulos prefixados e atrelados ao IPCA de prazo longo devem concentrar o impacto. Na avaliação dos especialistas, os preços já incorporavam a expectativa de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no domingo (25).
A mudança desse cenário tende a pressionar as taxas exigidas pelos investidores, reduzindo o valor de mercado dos papéis já emitidos.
Prefixados e Tesouro IPCA+ devem sentir maior impacto
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, projeta uma elevação de pelo menos 1 ponto percentual nas taxas longas. A estimativa considera a revisão das expectativas após o resultado eleitoral.
Para Bruno Corano, economista da Corano Capital, a correção pode ocorrer de forma rápida porque o mercado havia antecipado boa parte dos efeitos de uma vitória de Flávio. Os investidores passariam a incorporar o custo das medidas anunciadas durante o ano eleitoral.
O JPMorgan considera possível uma alta adicional dos juros em um cenário pessimista. O banco prefere aguardar a reação inicial dos mercados antes de modificar suas recomendações.
Marcação a mercado pode reduzir o preço dos títulos
A alta das taxas de juros tem efeito mais intenso sobre os títulos de vencimento distante. Em simulação apresentada pelo InfoMoney, uma elevação de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%.
O cálculo utiliza as condições de fechamento de sexta-feira (23) e o prazo restante até o vencimento. Trata-se de uma estimativa de sensibilidade do título, não de uma perda já registrada.
Na venda antecipada, o investidor recebe o preço de mercado, que pode resultar em rentabilidade inferior à contratada ou em prejuízo. Para quem mantém o papel até o vencimento, prevalecem as condições de remuneração estabelecidas na compra.
Tesouro Selic ganha destaque no curto prazo
Corano aponta os títulos pós-fixados, categoria que inclui o Tesouro Selic, como alternativa de proteção no curto prazo.
O economista avalia que a elevação das taxas pode abrir oportunidades em prefixados e papéis atrelados à inflação depois da reprecificação. Essa avaliação considera investidores com horizonte longo, capazes de atravessar as oscilações dos preços.
Copom e próxima equipe econômica orientam expectativas
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) ocorre em 3 e 4 de novembro, com a decisão sobre os juros prevista para o segundo dia. A Selic está em 13,75% ao ano.
Corano vê maior probabilidade de interrupção do ciclo de cortes diante de um cenário de desvalorização do real e pressão sobre as expectativas de inflação.
A escolha do próximo ministro da Fazenda será acompanhada pelos investidores. A definição da meta de resultado primário para 2027 e a acomodação das medidas eleitorais no Orçamento devem orientar a avaliação sobre a trajetória das contas públicas.
Fonte: IstoéDinheiro
