Economia
Sábado, 13 de junho de 2026

Setor privado do Brasil quer citar China nas negociações com os EUA

Abordagem parte do princípio de que as tarifas têm, sim, um contexto mais político e geopolítico do que econômico

Empresários que participam das conversas com o governo federal e vão aos Estados Unidos negociar com autoridades americanas querem destacar o risco de a China ampliar sua influência no Brasil, caso a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros entre em vigor.

A abordagem parte do princípio de que as tarifas têm um contexto mais político e geopolítico do que econômico. Na carta em que anunciou a tarifa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu um tom político ao citar o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, em outras ocasiões, Trump já ameaçou sobretaxar países do Brics ou que adotem medidas “antiamericanas”.

A estratégia, no entanto, pode enfrentar obstáculos, já que nem o setor privado, nem os senadores envolvidos têm acesso direto à Casa Branca.

A ideia dos produtores é justamente mostrar a empresas e autoridades americanas que, se o objetivo das tarifas é afastar o Brasil de discursos ligados à desdolarização, o efeito pode ser o oposto.

Hoje, o Brasil está mais próximo do que nunca da China nas relações comerciais, e o Brics cresceu nos últimos anos em número de países-membros.

Há pontos que podem ser levados aos americanos, segundo empresários ouvidos pela CNN.

Autoridades brasileiras do setor mineral e representantes do governo dos Estados Unidos se reuniram, nesta quarta-feira (23), para debater um possível acordo entre os países na área dos minerais críticos e a tarifa de 50%. A agenda foi solicitada pelos americanos.

Hoje, esse mercado é dominado quase exclusivamente pela China. Reduzir a dependência em relação a Pequim tem sido uma das prioridades da nova gestão Trump.

A China detém mais de 80% da capacidade global de produção de células de bateria, além de concentrar mais da metade do processamento mundial de lítio e cobalto, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

Um dos principais argumentos do Brasil na mesa de negociação com os EUA será justamente a dominância chinesa nesse mercado.

No caso do agro, que responde por três dos dez produtos mais exportados do Brasil aos EUA, a estratégia segue a mesma linha. O agronegócio brasileiro tem estreitado como nunca os laços com a China, principal destino das exportações do setor.

Durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Pequim, em maio, os países firmaram 20 acordos bilaterais, seis deles ligados diretamente ao setor agropecuário.

Além dos acordos governamentais, o setor privado também deu um passo adiante na estratégia de aproximação.

A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) inauguraram um escritório conjunto em Pequim.

Fonte: CNN