
O Elevador da Glória, um dos símbolos turísticos de Lisboa, deve voltar a funcionar em 2029 com um novo sistema. A empresa municipal de transporte da capital portuguesa, a Carris, pretende lançar no primeiro trimestre de 2027 um concurso internacional para construir e instalar o novo equipamento.
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (31), quase um ano após o acidente em que uma das cabines do elevador descarrilou e provocou a morte de 16 pessoas. O episódio levou à renúncia do então presidente da operadora da Carris, Pedro Bogas, após um relatório preliminar apontar falha no acidente.
O projeto prevê substituir o sistema histórico por um equipamento moderno, adaptado às atuais normas de segurança e acessibilidade. A Carris afirma, porém, que pretende preservar a identidade do Elevador da Glória e sua relação com a Calçada da Glória, uma das ruas mais íngremes e tradicionais da capital portuguesa.
“É uma nova solução, não uma reconstrução”, disse Rui Lopo, presidente do conselho de administração da Carris, durante a apresentação do projeto em Lisboa.
Ainda não há, porém, um detalhes definitivos. A empresa não informou a capacidade das novas cabines, o modelo de tração, quem será responsável pela manutenção ou quanto pretende gastar na obra.
O Elevador da Glória era composto por dois bondes sobre trilhos que ligavam a parte alta à parte baixa da cidade, ligados por um cabo. Eles se movimentavam simultaneamente, um subindo e outro descendo, num mecanismo de contrapesos. A tragédia ocorreu porque o cabo se rompeu na ligação com o bonde que iria iniciar a descida, fazendo com que o veículo despencasse ladeira abaixo.
Uma imagem apresentada no evento desta segunda mostra uma cabine amarela, na cor tradicional da Carris, com grandes janelas e iluminação de LED no teto. O desenho não é definitivo. A empresa ainda vai definir as exigências do edital e caberá à vencedora do concurso desenvolver o projeto final.
Se o cronograma for mantido, o concurso internacional será lançado no início de 2027. A previsão da Carris é que o novo Elevador da Glória esteja pronto e volte a transportar passageiros em 2029.
A mudança será significativa em relação ao equipamento histórico. As novas cabines, por exemplo, não poderão ser construídas em madeira, devido às normas europeias de segurança. A Carris também pretende tornar o novo equipamento acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
A investigação sobre o acidente ainda está em andamento.
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), órgão federal encarregado de examinar as causas da tragédia, informou que o relatório final deve ser concluído perto do fim do primeiro trimestre de 2027. O prazo foi ampliado devido à complexidade das perícias.
O órgão recomendou que nenhum dos elevadores históricos de Lisboa atualmente interditados volte a funcionar sem uma avaliação independente dos sistemas de tração, da fixação dos cabos e dos freios.
Além da Glória, continuam parados os elevadores da Lavra e da Bica, também operados pela Carris.
Fonte: FolhaPress
