
Os contratos futuros do barril de petróleo Brent para setembro deste ano dispararam quase 5% nesta segunda-feira (13) e chegaram a ficar perto de US$ 80, patamar que não alcançava desde quarta-feira (8), com o temor sobre uma nova interrupção no fornecimento do produto em virtude do anúncio do novo fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Logo na abertura da sessão, na noite de domingo (horário de Brasília), o preço teve uma forte subida e alcançou US$ 78,99. Por volta das 2h45 de segunda, a cotação foi a US$ 79,80 (R$ 407,60), alta de 4,97% em relação ao preço de fechamento na sexta-feira (10).
Depois disso, o preço diminuiu e ficou na casa de US$ 78. Às 11h15, o contrato de setembro estava em US$ 78,64 (R$ 401,67), aumento de 3,46%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subia 3,47%, a US$ 73,89 (R$ 377,42).
O fechamento de Hormuz foi anunciado pela Guarda Revolucionária do Irã no sábado (11), mas não houve negociação para o barril de petróleo. O impacto só ocorreu na noite de domingo (12), quando os mercados na Ásia passaram a precificar o temor sobre uma eventual interrupção no envio do produto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, declarou em rede social que o estreito de Hormuz “está aberto”, mesmo com o tráfego na região despencando após Teerã atingir dois petroleiros.
A insegurança levou os negociadores a elevarem de novo o preço do barril Brent, referência mundial. A cotação já havia subido mais de 5% na sexta-feira (10), quando os ataques entre norte-americanos e iranianos aumentaram.
Na semana passada, com a volta da instabilidade no Oriente Médio, os preços do Brent subiram 5,39% após uma sequência de quatro semanas em queda.
As forças militares de norte-americanos e iranianos voltaram a trocar ataques nesta segunda em uma escala que não era observada desde o cessar-fogo alcançado em abril, um cenário que praticamente acabou com o protocolo de acordo para negociar um fim definitivo da guerra.
“Não há dúvida de que o acordo está em crise. Mas o Irã nunca foi o primeiro a deixar de cumprir seus compromissos”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva em Teerã. Já os EUA acusam o Irã de ter reiniciado o confronto com bombardeios a países aliados norte-americanos.
Além disso, foi retomado o impasse sob o controle do estreito de Hormuz. Os iranianos não abrem mão da soberania sobre o local, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar nesta segunda que o país é quem ficará responsável por administrar o tráfego na região e que irá cobrar por isso. Até então, os norte-americanos criticavam o Irã por querer cobrar pedágio na região, afirmando que isso feria tratados internacionais.
O cessar-fogo, anunciado como grande vitória de Donald Trump há menos de um mês, perdeu sua validade ao longo da semana passada, quando o presidente norte-americano afirmou considerar o acordo provisório como encerrado.
Quando os termos iniciais do fim dos ataques foram assinados entre Irã e EUA, havia a previsão de reabrir o estreito e pôr fim à guerra. Dessa vez, no entanto, Trump voltou a deixar em aberto uma nova rodada de negociações para encerrar os conflitos, iniciados em 28 de fevereiro.
Apesar das hostilidades, o ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que prossegue com as gestões diplomáticas com os países mediadores -Qatar, Paquistão e Omã- com o objetivo de “evitar uma escalada” com os Estados Unidos.
Nesta segunda, as forças americanas afirmaram ter atingido “sistemas iranianos de defesa militar aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones e embarcações de pequeno porte”, com o que buscam impedir que a república islâmica “ataque tripulações civis e navios mercantes” no estreito de Hormuz.
O governo dos Estados Unidos acusou o Irã pelo ataque, durante o fim de semana, contra um porta-contêineres de bandeira cipriota, o que provocou a retirada de 23 tripulantes, enquanto um segue desaparecido.
A imprensa estatal iraniana relatou ataques americanos em áreas do sul e do oeste do Irã, incluindo a ilha de Qeshm e Bandar Abbas, perto de Hormuz. A agência Mehr informou novas explosões perto da passagem marítima na manhã de segunda-feira.
Em represália, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, anunciou bombardeios contra instalações dos Estados Unidos em Omã, Bahrein, Kuwait e Jordânia. O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que precisou responder a “alvos aéreos hostis” lançados contra seu território.
As forças do Bahrein acusaram o Irã de visar a população civil como parte de uma “atitude hostil sistemática”. Também relataram a “interceptação e destruição de vários ataques aéreos” na manhã de segunda-feira.
O chefe da diplomacia do Paquistão e mediador no conflito, Ishaq Dar, pediu uma “desescalada” e moderação, enquanto o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo para a “retomada urgente das negociações” de paz.
Amena Bakr, chefe de pesquisa para o Oriente Médio da Kpler, afirmou que qualquer garantia que os navios comerciais tivessem obtido com a possibilidade de atravessar o estreito de Hormuz nas últimas semanas já não existe mais.
“Essa confiança se dissipou muito, muito rapidamente”, comentou Bakr. “Voltamos à estaca zero em relação a essa situação.”
Fonte: FolhaPress
