Economia
Quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Parcela de executivos que vê cenário desfavorável para infraestrutura sobe para 30,9%, diz levantamento

A parcela de executivos, investidores e especialistas que consideram desfavorável o cenário para investimentos em infraestrutura no Brasil subiu de 20,4% para 30,9% nos últimos seis meses, segundo levantamento semestral da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).
A percepção favorável, por sua vez, recuou 16 pontos percentuais em relação à ultima edição, de novembro e dezembro de 2025, para cerca de 38%. O questionário foi respondido por 233 integrantes do setor entre 8 e 23 de junho.
Os resultados fazem parte da nova edição do Barômetro da Infraestrutura, realizado pela Abdib em parceria com a EY-Parthenon.
“Uma somatória de fatores pode representar essa cautela, como as eleições, os efeitos decorrentes da guerra no Oriente Médio, inflação, juros, preço do petróleo e da logística, além de protecionismo comercial e reforma tributária”, afirma Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para Governo e Infraestrutura.
Em relação às eleições presidenciais, quase 44% dos executivos afirmaram ainda que a vitória de um candidato de oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano impactaria positivamente os investimentos em infraestrutura.
Cerca de 26% dos participantes disseram que uma eventual derrota de Lula traria impacto negativo para os aportes, enquanto 23% avaliaram que não haveria impacto relevante, com manutenção do nível atual de investimentos.
O levantamento busca identificar o ânimo dos agentes do setor a respeito de temas que impactam a realização de investimentos e o desenvolvimento de projetos.
De acordo com a Abdib, os investimentos em infraestrutura bateram recorde de R$ 280 bilhões em 2025, contabilizando obras públicas e privadas. Cerca de 80% dos aportes vieram do setor privado.
O recorde era do ano anterior, quando a entidade registrou R$ 272,3 bilhões de investimentos em setores de infraestrutura. Até então, o levantamento não tinha alcançado o nível de investimentos observado em 2014 (R$ 251,5 bilhões).
Quando questionados sobre os efeitos da guerra no Irã na logística e no preço do petróleo, 44% dos entrevistados disseram que o conflito traz impacto médio sobre a operação do setor. Outros 20,3% afirmaram que é uma situação de alto impacto.
O aumento no preço do petróleo, provocado pelo fechamento do estreito de Hormuz, causou uma disparada no valor de insumos e materiais usados por vários setores de infraestrutura, incluindo rodovias e saneamento, nos últimos meses.
Empresas e representantes de diversas concessionárias citam atrasos nas entregas de produtos usados no tratamento de água e custo maior com combustível para abastecer máquinas e caminhões.
Além disso, 59% afirmam que a guerra comercial e as medidas protecionistas do governo dos EUA geram algum tipo de impacto sobre os seus negócios.
Ainda de acordo com o monitoramento da Abdib, 62% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já estão estudando os impactos da reforma em seus contratos.

Fonte: FolhaPress