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Quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Lula diz que falará com Trump em meio a crise diplomática entre Brasil e EUA

O presidente Lula afirmou durante entrevista nesta quarta-feira (5) que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump para defender uma reunião entre os líderes das principais potências mundiais em busca de uma saída negociada para os conflitos internacionais.
A declaração foi dada em entrevista ao canal Os Três Elementos, um dia depois de o governo americano revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. A medida aprofundou a crise diplomática entre os dois países. Na mesma entrevista, Lula classificou a decisão como “irresponsável” e “impensada”.
Ao defender uma retomada do diálogo entre as grandes potências, o presidente disse que já procurou os líderes da China e da Rússia e pretende fazer o mesmo com Trump.
“Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também”, afirmou o presidente.
“São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa (…) Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso (conflitos) e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem o fim nesse conflito”, concluiu Lula.
A fala ocorre em meio ao pior momento das relações entre Brasília e Washington desde o início do segundo governo Trump. Na segunda-feira (3), os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto de Maria Luiza Viotti, primeira mulher a comandar a Embaixada do Brasil em Washington.
O Departamento de Estado afirmou que a medida poderá ser revertida caso o governo brasileiro conceda o agrément ou seja, o aval para atuação como embaixador ao indicado de Trump para a embaixada em Brasília, Daniel Perez.
O governo brasileiro rejeita essa interpretação. Lula afirmou que os Estados Unidos tentam pressionar o Brasil a acelerar um processo que, pelas regras diplomáticas, não possui prazo definido. O presidente também lembrou que o próprio governo Trump está há mais de um ano sem indicar um embaixador efetivamente em exercício no Brasil e classificou a decisão de Washington como desproporcional.
O presidente também afirmou ter pedido a Trump que permitisse a entrada nos EUA de 11 autoridades brasileiras proibidas de viajar ao país, mas a solicitação não foi atendida. Em seguida, disse que o Itamaraty agiu corretamente ao barrar funcionários do governo americano.
Esses funcionários eram do Departamento de Estado. Segundo o Washington Post, Trump planejava mandá-los ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral do país.
A relação entre Lula e Trump alternou momentos de aproximação e de atrito desde a volta do republicano à Casa Branca. Após meses de tensão por causa de tarifas comerciais e críticas de Trump ao Brasil, os dois tiveram o primeiro encontro presencial em setembro de 2025, durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Na ocasião, ambos disseram que havia disposição para retomar o diálogo.
A aproximação ganhou força em maio deste ano, quando Lula foi recebido por Trump na Casa Branca. Os presidentes conversaram por cerca de três horas sobre comércio, segurança, minerais críticos e cooperação bilateral. Ao final da reunião, Lula afirmou que saía “muito satisfeito”, enquanto Trump classificou o encontro como “muito bom”, e os dois anunciaram a criação de um canal de negociação entre seus governos. O clima voltou a azedar nas semanas seguintes.
Desde o encontro, representantes dos dois governos mantiveram negociações sobre temas comerciais e diplomáticos, mas sem avanços duradouros.

Fonte: FolhaPress