
Candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) apresentou, na tarde desta segunda-feira (10), propostas para a área de segurança pública.
Os destaques do plano são a criação de um placar de segurança, com dados de resolução de crimes a cada três meses, e de uma agência estadual antifacção, que integraria órgãos estaduais e federais para combater organizações criminosas.
Questionado sobre metas específicas, Haddad se esquivou, dizendo apenas se comprometer com o aumento da taxa de esclarecimento de crimes ou a diminuição dos índices de letalidade policial, por exemplo.
Segundo ele, não há publicidade ou transparência dos dados na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o projeto envolve conversar com um gabinete técnico para montar um cronograma com objetivos factíveis.
“Eu vou fazer isso. Todo plano tem que ter acompanhamento”, afirmou, “mas eu preciso fazer isso com esse grupo, com esse gabinete institucional”. “Mais importante do que fixar metas -que precisam ser demandantes, precisam ser exigentes- é você dar transparência para os números. E hoje nós não temos transparência nos números do estado de São Paulo.”
A ideia de divulgar as propostas para a segurança pública antes do restante do plano de governo já havia sido antecipada pela coluna Painel. Como mostrou a Folha de S. Paulo, a área, desafio histórico da esquerda, foi um dos assuntos que mais recebeu atenção da pré-campanha do ex-ministro e é tratada como prioridade para a eleição.
O anúncio foi feito em auditório na capital paulista. Estiveram presentes o candidato a vice na chapa, o ex-ministro Márcio França (PSB), e as candidatas ao Senado, as ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), além do coordenador do programa de governo de Haddad, deputado estadual Emídio Souza (PT).
Outras personalidades também marcaram o lançamento, como o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), que reservou um tempo para falar sobre a renda básica universal, e o jornalista e hoje candidato a deputado federal José Luiz Datena (PSB).
Na esfera federal, pesquisa Datafolha de maio apontava que o governo Lula (PT) se saía pior, na avaliação do eleitor, em temas considerados prioritários para o próximo presidente. Na opinião de 16%, a área em que a gestão petista registrava o pior desempenho é a segurança pública, seguida de saúde (15%), economia (13%) e combate à corrupção (13%).
O “SP Protege”, como foi apelidado o programa de governo para a segurança pública do ex-ministro em São Paulo, confirma o que ele já vinha defendendo em entrevistas e falas públicas nos últimos meses: um plano dividido em três frentes complementares, com foco em inteligência, tecnologia e cooperação federativa.
A primeira frente é a recuperação do espaço público, com o objetivo de combater crimes de rua, como furtos e roubos de celulares, por meio da integração entre polícias e guardas municipais e do uso de inteligência e tecnologia.
Uma das propostas é usar inteligência artificial para cruzar imagens de câmeras, dados de ocorrências e chamadas ao 190 para montar mapas de calor que mostram onde e quando o crime acontece.
O placar de segurança publicaria indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e metas públicas.
A segunda camada do plano é a proteção do espaço privado, com foco nos crimes que ocorrem “dentro de casa”, como violência doméstica.
Nesse eixo, Haddad propõe fortalecer a Delegacia da Mulher para melhorar a categorização de casos e facilitar o acionamento da polícia.
O ex-ministro também promete criar uma plataforma de IA para cruzar dados e alertas de diversas áreas para classificar o risco de crimes, permitindo que as policiais das DDMs ajam antes da tragédia.
Completa o plano o combate ao crime organizado, mais especificamente ao que Haddad costuma chamar de “andar de cima” da criminalidade, com o objetivo de asfixiar a cúpula dessas organizações.
O ex-ministro citou como exemplo a Operação Carbono Oculto, contra lavagem de dinheiro e infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no mercado financeiro. A operação envolveu a articulação das polícias, da Receita Federal, do Ministério Público e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Aqui a ideia é criar a agência antifacção -uma estrutura permanente de inteligência e investigação sob a direção do governador, reunindo Ministério Público, polícias, Receita Estadual e órgãos de controle.
O objetivo é desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados.
Também espera-se usar a inteligência artificial para a prevenção de crimes e para aumentar a eficiência das investigações.
Fonte: FolhaPress
