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Segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Conseguir crédito pelo Move Brasil pode levar meses

Conseguir aprovação no financiamento do Move Brasil pode exigir meses para construir um histórico financeiro e um relacionamento com o sistema bancário, mesmo se o motorista ou entregador de aplicativo não tiver dívidas, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, os primeiros dias do programa trouxeram um grande aumento na procura por carros em concessionárias, mas uma parcela pequena das propostas foi aprovada pelos bancos.
Mesmo quem não tem dívidas ou conseguiu limpar o nome pode não obter o crédito imediatamente. “O histórico é construído ao longo do tempo. Você não destrói nem constrói uma reputação financeira rapidamente”, afirma Taís Magalhães, planejadora financeira pela Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro).
Abaixo, veja as principais orientações para conseguir o crédito mais rápido.
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CONSULTE SE HÁ PENDÊNCIAS NA SERASA
O primeiro passo para quem pretende solicitar o financiamento é verificar se há restrições no CPF (Cadastro de Pessoas Físicas), segundo Leonardo Baldez Augusto, economista e educador financeiro e fundador da ISF Crédito. “O primeiro erro é tentar resolver a situação financeira sem conhecer o tamanho do problema. É preciso levantar credores, valores e parcelas antes de tomar qualquer decisão”, afirma.
A consulta ao Serasa é gratuita e pode ser feita pelo site ou aplicativo da empresa, por meio de login com documento e senha. O consumidor consegue visualizar eventuais dívidas negativadas e, quando houver, acessar ofertas de negociação pelo Serasa Limpa Nome.
Segundo Taís Magalhães, quitar essas pendências ajuda a recuperar a credibilidade no mercado. Ela afirma que, após a baixa correta dos registros, o score costuma reagir em algumas semanas.
“Em cerca de um mês o score já pode melhorar. Mas isso não significa que o crédito será liberado automaticamente”, afirma.
CONSULTE O REGISTRATO PARA VERIFICAR DÍVIDAS BANCÁRIAS
Além da Serasa, a especialista recomenda consultar o Registrato, sistema do Banco Central que reúne informações sobre o relacionamento do consumidor com instituições financeiras.
O acesso é feito pelo site do Banco Central, utilizando uma conta Gov.br de nível prata ou ouro. Na plataforma, é possível emitir gratuitamente relatórios sobre empréstimos e financiamentos, contas bancárias, chaves Pix, cheques sem fundos e outras informações registradas pelas instituições financeiras.
Caso existam operações em atraso ou outras pendências, a recomendação é procurar diretamente a instituição responsável para negociar a regularização.
Leonardo Baldez ressalta que o acordo deve caber no orçamento. “A prioridade deve ser chegar a um acordo que possa ser cumprido até o fim. Aceitar uma parcela apenas para retirar a negativação, sem ter condições de mantê-la, aumenta o risco de voltar à inadimplência”, afirma.
CONSTRUA UM HISTÓRICO DE CRÉDITO
Um dos principais problemas enfrentados por muitos trabalhadores de aplicativos, segundo Magalhães, é justamente a falta de histórico financeiro.
Ela afirma que há muitos jovens que nunca utilizaram cartão de crédito ou financiamento, por exemplo. Sem esse histórico, os bancos têm poucas informações para avaliar o comportamento daquele consumidor.
“Para conseguir crédito, você precisa ter histórico. É preciso manter relacionamento com instituições financeiras para que elas saibam que você é um bom pagador”, diz.
Segundo a planejadora, utilizar um cartão de crédito de forma responsável pagando sempre a fatura integral e dentro do prazo ajuda a construir essa reputação ao longo dos meses.
MANTENHA AS CONTAS EM DIA E ATUALIZE SEUS DADOS
Pagar contas dentro do vencimento é um dos fatores mais importantes para melhorar o perfil de crédito. Mesmo atrasos pequenos podem prejudicar o histórico do consumidor, afirma Magalhães.
Ricardo Hiraki, consultor financeiro da Plano Fintech de Educação Financeira, afirma que contas recorrentes, como água, luz, telefone e pequenas faturas, ajudam a construir um histórico positivo nos birôs de crédito quando quitadas dentro do prazo.
A Serasa também recomenda atualizar os dados cadastrais e autorizar o compartilhamento de informações bancárias entre bancos via open finance. Segundo a empresa, esses dados permitem uma avaliação mais completa do comportamento financeiro e podem favorecer a análise.
EVITE PEDIR CRÉDITO EM VÁRIOS BANCOS AO MESMO TEMPO
Receber uma negativa costuma levar consumidores a procurar rapidamente outras financeiras ou concessionárias, como aconteceu nos primeiros dias de funcionamento do Move Brasil.
Segundo Magalhães, essa estratégia pode passar ao mercado a impressão de que há urgência na obtenção de crédito e aumentar o risco de o consumidor aceitar propostas com juros elevados. “Se a pessoa já percebe que não consegue crédito nas principais instituições, ela precisa primeiro organizar a vida financeira antes de continuar procurando propostas”, afirma.
Ricardo Hiraki também explica que fazer muitas simulações em concessionárias e bancos em um curto período faz com que diversas consultas ao CPF sejam registradas. “A dica é já ir com a pesquisa feita e concentrar as simulações em poucas instituições”, afirma.
A própria Serasa orienta evitar muitas solicitações de crédito em um curto intervalo de tempo, já que esse comportamento também pode ser considerado na análise das instituições.
VEJA SE A PARCELA REALMENTE CABE NO ORÇAMENTO
Mesmo que o banco aprove a operação, isso não significa que o financiamento seja adequado para o orçamento do trabalhador. Como muitos motoristas têm o veículo como fonte principal de renda, a especialista da Planejar recomenda estimar quanto será possível faturar por mês e quanto da receita ficará comprometida com as parcelas.
Também é importante considerar gastos com combustível, manutenção, seguro, documentação e impostos. “O trabalhador precisa saber quanto espera faturar para entender se conseguirá pagar essa dívida.”
Como motoristas e entregadores têm renda variável, Rodolfo Takahashi, CEO da agência de empréstimos Gooroo Crédito, afirma que o ideal é avaliar se a prestação continua cabendo no orçamento mesmo em semanas de movimento mais fraco. Como referência, ela não deveria comprometer mais de 15% a 20% da renda líquida média do trabalhador.
O especialista também alerta que faturamento não é o mesmo que renda. “Antes de assumir um financiamento, é preciso descontar gastos como combustível, manutenção, seguro, lavagem, documentação e impostos para calcular quanto realmente sobra no fim do mês”, diz.

Fonte: FolhaPress