Economia
Segunda-feira, 27 de julho de 2026

Brasileiros conseguem usar Pix em viagens ao exterior

Turistas brasileiros conseguem usar o Pix em viagens ao exterior, principalmente na América do Sul. A possibilidade existe graças a empresas e bancos que conectam o sistema brasileiro a redes internacionais de pagamentos, e permitem que a compra seja concluída sem a necessidade de dinheiro em espécie ou cartão internacional.
No entanto, o Banco Central ressalta que ainda não existe um Pix Internacional oficial. Segundo a autoridade monetária, o sistema é um arranjo doméstico. Ou seja, para que um pagamento seja realizado no exterior, é necessária uma empresa intermediária, responsável por receber o Pix em reais, fazer a conversão cambial e liquidar o valor ao estabelecimento na moeda local.
Hoje, Chile e Argentina concentram as iniciativas mais avançadas, mas o BC afirma que também já existem operações nos Estados Unidos, Portugal e França. A expectativa é que o modelo se expanda para outros destinos com grande fluxo de brasileiros.
No Chile, por exemplo, a fintech brasileira PagBrasil lançou, em parceria com a chilena VirtualPOS, uma solução que permite que brasileiros, argentinos e paraguaios paguem compras escaneando um QR Code com o aplicativo do banco que já utilizam em seus países.
A empresa projeta movimentar mais de US$ 10 milhões (R$ 51 milhões) entre junho e setembro deste ano, alta de 900% em relação à temporada de inverno anterior.
Segundo a PagBrasil, a solução já está presente em hotéis, restaurantes, transporte, locadoras de veículos, lojas e até centros de esqui. O consumidor visualiza o valor em pesos chilenos, mas o aplicativo mostra automaticamente o equivalente em reais antes da confirmação da compra. Enquanto isso, o comerciante recebe diretamente em pesos.
A expansão acompanha o crescimento do turismo no Chile. Em 2025, o país recebeu mais de 6 milhões de visitantes internacionais, dos quais cerca de 681 mil eram brasileiros.
Na Argentina, a principal iniciativa vem do Banco do Brasil em parceria com o Banco Patagonia.
Desde março, segundo a instituição, brasileiros conseguem realizar pagamentos em cerca de 6.000 estabelecimentos credenciados usando o aplicativo da instituição financeira onde já possuem conta, sem necessidade de baixar outro aplicativo ou realizar cadastro específico.
Ao escanear o QR Code apresentado pelo comerciante, o cliente visualiza a taxa de câmbio antes de confirmar a operação. O débito é feito em reais na conta brasileira, enquanto o estabelecimento recebe em pesos argentinos. Sobre a operação incidem o câmbio e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) previstos na legislação.
O movimento também ocorreu no sentido inverso. Desde fevereiro, clientes argentinos do Banco Patagonia conseguem pagar em estabelecimentos brasileiros utilizando o Pix QR Code diretamente pelo aplicativo do banco argentino.
Segundo o Banco do Brasil, a solução foi desenhada para ser expandida futuramente para outros países da América, Europa e Ásia.
Márcio William, CEO da Remessa Online, plataforma digital brasileira para transferências e pagamentos internacionais, acredita que a tendência é que os pagamentos internacionais avancem por meio da conexão entre diferentes infraestruturas financeiras, e não pela criação de um Pix global.
“O mercado tem avançado para tornar as transferências internacionais cada vez mais rápidas, digitais e acessíveis. Isso não significa, necessariamente, replicar o modelo do Pix entre países”, afirma.
Segundo ele, a evolução deve ocorrer por meio de soluções que conectem diferentes sistemas de pagamento, permitindo liquidação em poucos minutos e oferecendo uma experiência cada vez mais simples ao consumidor.
COMO FUNCIONA HOJE O PIX FORA DO PAÍS
O que o turista faz

  • Escaneia um QR Code com o aplicativo do banco brasileiro
  • Confere o valor convertido para reais
  • Confirma a operação
    O que acontece nos bastidores
  • O pagamento é feito via Pix para uma empresa intermediária
  • A empresa realiza a operação de câmbio
  • O estabelecimento recebe na moeda local

Fonte: FolhaPress